Estouro de bexigas é confundido com atirador em universidade nos EUA

Barulho de balões gera alerta e espalha pânico na cidade de Ann Arbor, em Michigan

Campus da Universidade de Michigan, em Ann Arbor
Campus da Universidade de Michigan, em Ann Arbor ORG XMIT: University Unions - Divulgação/ Universidade de Michigan
São Paulo

"Corra, esconda-se, lute." Assim avisou a Universidade de Michigan, por mensagens de texto, que um atirador estava em um dos prédios do campus neste sábado (16).

No final da tarde, quando uma vigília em homenagem aos 50 mortos no massacre na Nova Zelândia acontecia em Ann Arbor, cidade de abriga a universidade, a polícia e o departamento de segurança da faculdade receberam 20 ligações relatando terem escutado tiros. 

Como ocorre nesses casos, o pânico se espalhou rapidamente. O Michigan ​Daily, jornal produzido por estudantes da universidade, publicou no Twitter a imagem de duas fotocopiadoras bloqueando a porta de uma biblioteca. Por cima das máquinas, uma escada reforçava a barreira.

Em vídeos compartilhados na rede social, era possível ver ambulâncias e dezenas de viaturas na rua em frente à Mason Hall, prédio onde o atirador estaria. Macas já estavam prontas para possíveis atendimentos.

Estudantes perguntavam em grupos de trocas de mensagens e nas redes sociais a localização de amigos e enviavam toda a sorte de informações sobre o alerta. 

Os moradores de Ann Arbor estão acostumados a alertas que de tão civilizados chegam a ser cômicos.

Em novembro, por exemplo, a polícia enviou um e-mail contando que uma pessoa foi acordada por alguém batendo à porta do quarto. Ao abrir, encontrou um homem segurando sua carteira. 

Ele então pediu o pertence de volta, o que o homem concordou em fazer. Sabe-se lá o que o ele quis ao acordar a vítima, mas, no final da história, supresa!, o dinheiro já não estava lá.

​​Tudo em Ann Arbor gira em torno da universidade, algo natural para uma cidade de pouco mais de 121 mil habitantes que abriga uma instituição com quase 47 mil matriculados, segundo dados do segundo semestre de 2018. Outras 49 mil pessoas trabalham para a universidade.

O Michigan Stadium, um dos maiores estádios universitários dos Estados Unidos, tem capacidade para 107.601 pessoas. Quando os Wolverines jogam, Ann Arbor vira um deserto, porque a Big House, como o estádio é chamado, sempre lota.

Cerca de trinta minutos após o envio do alerta, a universidade voltou a se comunicar. "Parece não haver uma ameaça para a comunidade neste momento. A polícia segue investigando. Continue longe da área."

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Depois, o xerife do condado de Washtenaw, responsável por Ann Arbor, publicou no Twitter que "os relatos de tiros no campus não procedem dessa vez". A universidade então liberou todos os prédios.

A mídia local publicou mais tarde que garotas estourando bexigas teriam gerado a impressão de que um atirador estava no campus. O barulho da explosão dos balões teria sido confundido com tiros, o que fez pessoas correrem. Cinco horas após o envio do primeiro alerta, a Universidade de Michigan divulgou um comunicado no qual confirma a informação.

"Policiais puderam confirmar um relato de balões estourando na área onde os sons de tiros teriam sido escutados. Informação preliminar indica que a atividade não foi resultado de má-fé."

A paranoia faz sentido num país marcado por casos de ataques a tiros em escolas. No ano passado, um adolescente matou oito estudantes e dois professores na escola de ensino médio Santa Fé, no Texas. 

Em 2012, num dos episódios mais emblemáticos da história dos EUA, o jovem Adam Lanza, então com 20 anos, fez 27 vítimas na escola de ensino primário Sandy Hook, no estado de Connecticut. 

O caso mais simbólico, porém, é o da escola Columbine, em abril de 1999. Os adolescentes Eric Harris e Dylan Klebold mataram 12 colegas e um professor antes de se suicidarem numa escola de ensino médio no Colorado.

O massacre na Nova Zelândia reforçou o temor por um novo ataque, agora em Ann Arbor. Por isso, até balões podem causar pânico.

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