Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz contar com apoio e capacidade bélica dos EUA para 'libertar Venezuela'

Porta-voz do governo, por sua vez, diz que Brasil não dará suporte a uma intervenção no país vizinho

Marina Dias Patrícia Campos Mello
Washington

O presidente Jair Bolsonaro usou seu discurso de pouco mais de dez minutos nesta segunda-feira (18) em Washington para dizer que o Brasil conta com o apoio e a capacidade bélica dos Estados Unidos para 'libertar o povo' da Venezuela.

"Temos alguns assuntos que estamos trabalhando em conjunto, reconhecendo a capacidade econômica, bélica, entre outras, dos Estados Unidos. Temos que resolver a questão da nossa Venezuela", declarou o presidente a empresários e investidores americanos durante evento na Câmara de Comércio Brasil-EUA.

"A Venezuela não pode continuar da maneira como se encontra. Aquele povo tem que ser libertado e contamos com o apoio dos EUA para que esse objetivo seja alcançado." 

O presidente Jair Bolsonaro discursa durante evento na Câmara de Comércio Brasil-EUA
O presidente Jair Bolsonaro discursa durante evento na Câmara de Comércio Brasil-EUA - Erin Scott/Reuters

Na Casa Branca, funcionários do alto escalão do governo afirmam que o governo de Trump conta com a interlocução dos militares brasileiros na Venezuela diante da crise que assola o país sul-americano.

A ala militar do governo brasileiro, por sua vez, é contra qualquer intervenção que extrapole a ajuda humanitária na fronteira e, após o discurso de Bolsonaro, o porta-voz do Planalto, Otávio Rêgo Barros, reforçou a posição.

O líder brasileiro, que vai se encontrar com Trump nesta terça-feira (19) na Casa Branca, fez questão de se colocar como uma réplica de Trump na América Latina.

Disse que acredita na transformação do país "pelas mãos de Deus" —a quem fez diversas referências durante sua fala improvisada—, que é contrário ao politicamente correto e à ideologia de gênero.

"Queremos um Brasil grande, assim como Trump quer uma América grande", completou Bolsonaro, em referência ao slogan do americano: "Make America Great Again".

"Alavancaremos não só nossa economia, bem como os valores que, ao longo dos últimos anos, foram deixados para trás. Acreditamos em Deus, somos contra o politicamente correto, não queremos a ideologia de gênero. Queremos um mundo de paz e liberdade. Precisamos trabalhar duro para que seja alcançado", completou.

Ainda no seu esforço de traçar paralelos entre sua trajetória e a de Trump, Bolsonaro disse que o Brasil "cansou da velha política e dos péssimos exemplos do governo do PT", que, segundo o presidente, eram antiamericanos. "Hoje vocês têm um presidente que é amigo e admira os EUA."

A visita a Washington é a primeira viagem para um encontro bilateral de Bolsonaro, mas não rendeu —até agora— resultados concretos em termos de acordos comerciais, por exemplo.

O presidente aproveitou para dizer que o Brasil precisa de "bons parceiros" para ir além disso.

"O povo americano e os EUA sempre foi [sic] inspirador para mim e para as decisões que tomei. Essa visita materializa isso."

O presidente brasileiro ainda comentou, em tom de chacota, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, é o amor da sua vida. "Na questão da economia, obviamente. Mas não sou homofóbico."

"Apesar da minha inexperiência no Executivo, estou muito bem assessorado por 22 ministros. Nós acreditamos no Brasil, mas só podemos fazer mais com bons amigos", finalizou o presidente, que foi aplaudido de pé.

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