Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz que trocará embaixador nos EUA somente após visita a Trump

'Não pega bem chegar lá com bilhete azul', afirma presidente sobre novo nome na embaixada

Leandro Colon
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (13) que vai anunciar o nome do novo embaixador do Brasil nos Estados Unidos somente após a visita que fará ao país na semana que vem.

Em um café com jornalistas, para o qual a Folha foi convidada, Bolsonaro anunciou ainda que a troca faz parte de 15 mudanças que pretende fazer em embaixadas, entre elas a da França. 

Ele negou a intenção de divulgar quem será o novo embaixador nos EUA durante a viagem. "Não pega bem chegar lá com bilhete azul", disse. 

O presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto
O presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 12.mar.19/Folhapress

"A certeza é que vai ser trocado", ressaltou o presidente. O atual ocupante do posto é Sérgio Amaral.

Segundo Bolsonaro, a troca nas embaixadas é necessária porque a imagem do Brasil no exterior está sendo vendida de "maneira ruim". "Não sou ditador, homofóbico, racista", afirmou.

Conforme a Folha mostrou, o mais cotado para assumir o posto nos EUA é o diplomata Nestor Forster, defendido pelo chanceler Ernesto Araújo e amigo do guru ideológico do governo, Olavo de Carvalho.

Mas o consultor e advogado Murillo de Aragão, da Arko Advice, ganhou força nos últimos dias, principalmente pelo bom trânsito que tem entre a ala militar do Planalto —bastante influente junto ao presidente.

Bolsonaro informou ainda que pretende, na viagem aos EUA, assinar três acordos com o governo local, um na área tributária, outro referente à Base de Alcântara, e um terceiro não divulgado por ele. 

O presidente disse também que "talvez" receba um convite do presidente Donald Trump para o Brasil passar a ter o status de “major non-NATO ally” —grande aliado extra-Otan.

Os dois se reúnem nos EUA nos dias 18 e 19 de março. A designação cabe a países que não são membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas que são considerados aliados estratégicos militares dos EUA. 

Sobre uma possível mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, o presidente afirmou que é preciso ter cautela. "Estamos conversando com todo mundo, vamos ter calma, ter cautela, está sendo negociado não pode vai ou racha."

A promessa do então candidato de mudar a embaixada do Brasil em Israel tem implicações políticas e práticas, como danos ao comércio de proteína "halal" com países muçulmanos.

​Bolsonaro também falou sobre Venezuela. Ele disse que só decidiu reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela depois que Trump fez o mesmo. "Não seria o 01", afirmou.

As declarações de Bolsonaro foram dadas em um café da manhã com jornalistas. A Folha foi convidada.

Participaram também do encontro Renata Lo Prete (TV Globo), Fernando Mitre (TV Bandeirantes), Mariana Godoy (Rede TV), Carlos Nascimento (SBT), Thiago Contreira (TV Record), Fernando Rodrigues (Poder 360), Carlos di Franco (O Estado de S. Paulo), Leonardo Cavalcanti (Correio Brasiliense), Rufolgo Lago (Istoé), Paulo Enéias (Crítica Nacional) e Rui Fabiano.

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