Brasileira corre risco de deportação após arrancar boné de apoiador de Trump

Americano gravou cena em restaurante; advogado diz que ela foi provocada

Nova York

A brasileira Rosiane Santos, 41, corre risco de ser deportada por ter arrancado o boné com um slogan usado pelo presidente Donald Trump de um jovem de 23 anos que também teria feito comentários contra imigrantes em um restaurante mexicano em Falmouth, Massachusetts.

O episódio teria acontecido no último dia 15 de fevereiro, o mesmo em que o republicano decidiu declarar emergência nacional para contornar o Congresso e obter recursos para construir um muro na fronteira com o México.

Homem usa boné com a frase 'Make America Great Again', slogan de campanha de Donald Trump, em evento na Casa Branca
Homem usa boné com a frase 'Make America Great Again', slogan de campanha de Donald Trump, em evento na Casa Branca - Nicholas Kamm-21.fev.19/AFP

O advogado Drew Segadelli, que representa a brasileira no caso criminal, afirma que Bryton Turner, 23, provocou a brasileira. Turner usava um boné com a frase “Make America Great Again” (“Torne a América Grande de Novo”, em tradução livre), slogan da campanha eleitoral de Trump.

“Ele a estava chamando de burra e falando outras coisas contra imigrantes, querendo forçar uma reação”, afirma. Em um momento da noite, afirma Segadelli, Turner teria dito a Santos que Trump ia conseguir o dinheiro para construir o muro e mandar os imigrantes de volta para casa.

Turner gravou parte da discussão com a brasileira em seu celular. No vídeo, ele disse estar apenas sentado e tentando fazer uma refeição. Santos aparece e tira o boné do jovem. “Pessoas assim, esse é o problema, esse é o problema com a América hoje”, afirmou, no vídeo. “As pessoas são ignorantes. Elas querem atacar pessoas que são educadas.”

À radio WBZ, Turner disse que apenas estava usando um boné. “Eu não entendo por que as pessoas não podem simplesmente se expressar mais, todo mundo tem que ficar irritado.”

Um funcionário do restaurante ouvido pela emissora 7News defendeu Turner e disse que o jovem só pediu seu prato e que não teria feito nada para provocar a brasileira.

Após ser presa, Santos foi levada à custódia do ICE (Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras), depois que os agentes descobriram que a brasileira tinha um visto de turismo expirado em 1994.

Em comunicado, o ICE afirmou que a brasileira foi presa por estar irregular no país. “Santos atualmente está enfrentando acusações locais por ataque e outros delitos. Ela foi liberada da custódia do ICE após entrar em procedimentos de remoção nas cortes federais de imigração e recebeu uma notificação para comparecer perante um juiz de imigração em uma data futura."

A audiência do processo de Santos envolvendo as acusações criminais está marcada para 26 de março. Já a ação na corte de imigração ainda não tem previsão para acontecer.

Em entrevista à 7News, Santos, que está usando uma tornozeleira eletrônica, disse que se arrependeu de ter arrancado o boné de Turner e afirmou estar recebendo ameaças de morte de apoiadores do presidente.

Em um dos recados que a brasileira mostrou, um homem disse que ela o inspirou a comprar um boné com a frase. “É assustador. Eu senti que minha vida estava em perigo”, afirmou à emissora.

Ela contou ter chegado aos Estados Unidos com 16 anos, e que seus pais e irmãos conseguiram a cidadania americana. Recentemente, ela se casou com um cidadão americano, Emmanuel Santos, e deu entrada no pedido do green card.

“Se você usa esse boné em um restaurante mexicano, eu acho que você está tentando provocar algumas pessoas”, afirmou o marido dela à emissora Boston 25 News. Segundo ele, Turner provocou a brasileira antes de começar a gravar o vídeo. “Se ele gravou o vídeo ele mesmo, eu não acho que ele teria começado a gravar quando estava dizendo as coisas que disse.”

À Boston 25, Turner afirmou que ficou surpreso com a notícia de que Santos pode ser deportada. “Eu dou às pessoas o benefício da dúvida na maioria das vezes e nunca teria dito que ela era ilegal”, afirmou. “Infelizmente, este país tem leis para proteger seus cidadãos e elas têm que ser obedecidas. É isso que faz esse país grande.”

Para o advogado Drew Segadelli, o caso reflete as tensões políticas no país. “Vindo de um eleitor do Trump, essas coisas não me surpreendem”, afirmou. “A polícia considerou ele uma vítima. Ele não é vítima de nada. Ela foi pressionada a reagir. Ela não deveria ter feito isso, mas todo mundo poderia reagir da forma como ela reagiu.”


 

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