Carlos Menem é condenado pela terceira vez, mas não deve ir à prisão

Atualmente senador, ex-presidente argentino tem foro especial

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O ex-presidente argentino Carlos Menem (1989-1999) recebeu nesta quarta-feira (27) mais uma condenação judicial, a terceira, mas não deve ir à prisão.

Desta vez, foi considerado culpado por vender a um preço muito menor do que valia o tradicional prédio da Sociedade Rural, no bairro de Palermo (Buenos Aires), durante seu governo. A pena é de três anos e nove meses.

O ex-presidente argentino Carlos Menem durante sessão em tribunal de Buenos Aires
O ex-presidente argentino Carlos Menem durante sessão em tribunal de Buenos Aires - Juan Mabromata - 28.fev.19/AFP

A venda do prédio foi realizada em 1991, por US$ 39 milhões (R$ 154 milhões), quando o imóvel era avaliado em cerca de US$ 131 milhões (R$ 518 milhões).

Menem, 88, ainda acumula outras duas sentenças, pelo superfaturamento de obras do Estado e por tráfico de armas à Croácia e ao Equador.

Além disso, há ainda outros dois processos em que é réu e que devem ser decididos ainda em 2019. 

Menem, porém, é senador por sua província, La Rioja, e para ser preso deveria ter seu foro especial retirado pelo Congresso. É difícil que isso aconteça, pela influência e alianças que possui com deputados e senadores. 

A atual condenação, no entanto, inclui sua inabilitação política. Ou seja, Menem não poderá concorrer novamente a uma vaga no Senado e poderia ser preso quando terminar o atual mandato, em 2022, quando terá 92 anos.

Junto a Menem e pela mesma razão foi condenado o ex-ministro da economia Domingo Cavallo, conhecido devido à crise de 2001.

O ex-ministro recebeu uma sentença de três anos e seis meses de prisão e, como não tem foro especial, pode ser preso a qualquer momento.

Tanto Menem como Cavallo anunciaram que vão recorrer à Corte Suprema de Justiça.

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