Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Chanceler Ernesto Araújo diz que não houve golpe no Brasil em 1964

No Congresso, ministro disse que 'foi um movimento para que o Brasil não se tornasse uma ditadura'

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. participa de audiência na Comissão de Relações Internacionais da Câmara - Pedro Ladeira/Folhapress
Ricardo Della Coletta
Brasília

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quarta-feira (27) que não considera que houve um golpe militar no Brasil em 1964.

"Não considero um golpe. Considero que foi um movimento necessário para que o Brasil não se tornasse uma ditadura. Não tenho a menor dúvida em relação a isso", declarou Araújo, durante seu primeiro comparecimento à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Araújo respondeu a uma pergunta do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). 

Mais tarde, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) quis saber como o chanceler classificava o regime que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Araújo foi evasivo: "Me parece que é uma discussão de conceitos e palavras que não é relevante para a nossa política externa". 

Com a declaração, Araújo se alinha ao presidente Jair Bolsonaro, que determinou que os quartéis brasileiros festejem o aniversário de 55 anos do golpe militar que inaugurou a ditadura no Brasil.

A determinação do presidente da República gerou reações de parlamentares e de entidades, como a Defensoria Pública da União, que ajuizará uma ação civil pública para impedir que a data do 31 de março seja comemorada nas unidades militares.

Durante seu comparecimento na Comissão de Relações Exteriores, Araújo fez uma defesa da sua gestão no Itamaraty. Ele negou que a política de aproximação com os Estados Unidos represente uma ação de subserviência aos interesses norte-americanos, uma das críticas disparadas por congressistas da oposição.

"Eu acho que o que existia antes era um complexo de inferioridade em relação aos Estados Unidos, no qual tinha-se a sensação de que qualquer cooperação com os EUA viria em detrimento do Brasil", declarou o chanceler. "Esse complexo foi um gigantesco tiro no pé do Brasil durante décadas."

Ele rebateu ainda as queixas de que o Brasil estaria reduzindo a qualidade do seu relacionamento com a China, hoje o principal parceiro comercial do país. Segundo ele, o país não pode atender a todos os interesses que os chineses têm no Brasil.

"Não teremos entreguismo nem para a China nem para os EUA", declarou o ministro.

Ernesto Araújo foi questionado ainda, na comissão, sobre declarações que fez no passado, quando elogiou a política externa dos governos do PT.

Em fevereiro de 2015, por exemplo, Araújo defendeu o governo Dilma num debate com economistas em Washington. O chanceler também escreveu uma tese em 2008 sobre o Mercosul, na qual defendeu o bloco econômico regional e a política externa adotada após a chegada dos petistas ao poder.

Nesta quarta, Araújo disse que se “iludiu”, que “não sabia dos escândalos de corrupção” e que o crescimento econômico prometido nos anos do PT “não se materializou”.

“Eu não percebia o quanto a projeção econômica brasileira estava baseada no boom das commodities. Não percebia, realmente falha minha, deveria ter estudado mais. Eu acreditava um pouco na própria propaganda do governo, de que haveria um processo de transformação do Brasil”, disse Araújo.  

“Eu me iludi realmente, achava que havia certas realizações que eram sustentáveis”, concluiu.

O chanceler também detalhou na comissão as medidas que o Brasil está tomando para auxiliar a população de Moçambique, atingida pela passagem do ciclone Idai, que deixou centenas de mortos no país.

Além do envio de 100 mil euros que serão destinados ao país africano, Araújo disse que bombeiros brasileiros auxiliarão na resposta à emergência humanitária em Moçambique.

"Nas próximas 48 horas estamos enviando um avião com ajuda humanitária médica e uma equipe de bombeiros para ajudar Moçambique. Isso será uma primeira medida, e veremos o que mais pode ser feito", declarou o ministro.

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