Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Em hebraico, Bolsonaro diz que ama Israel ao visitar 'irmão' Netanyahu

Em desembarque no país, presidente afirma que 'tratamento equilibrado nas questões do Oriente Médio' foi recuperado

Daniela Kresch
Tel Aviv

​​Sob chuva intensa, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro desembarcou neste domingo (31) no Aeroporto Internacional de Tel Aviv  para uma visita de quatro dias a Israel.

O avião do presidente pousou por volta das 9h45 (3h45, horário de Brasília). Em cerimônia que durou cerca de 15 minutos, ele discursou, bem como o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Mas nenhum dos dois tocou em assuntos polêmicos, como a transferência da embaixada do Brasil para Jerusalém.​

O presidente Jair Bolsonaro ao lado do primeiro ministro de Israel  Binyamin Netanyahu, nas proximidades de Tel Aviv
O presidente Jair Bolsonaro ao lado do primeiro ministro de Israel Binyamin Netanyahu, nas proximidades de Tel Aviv - Jack Guez/AFP

“Eu amo Israel”, disse Bolsonaro, em hebraico, ao lado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu –que raramente se desloca para o aeroporto para se encontrar com chefes de Estado.

Essa foi apenas a quinta vez em dez anos que Netanyahu ofereceu esse gesto. Antes de Bolsonaro, ele recebeu no aeroporto apenas dois presidentes americanos, Barack Obama e Donald Trump, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o papa Bento 16.

“Prezado amigo, prezado irmão Binyamin Netanyahu. Há dois anos estive em Israel e visitei o rio Jordão”, disse Bolsonaro, que foi ao país naquela oportunidade em 2016. “Por coincidência, meu nome é Messias. Me senti emocionado naquele momento. Uma emoção, um compromisso, uma fé verdadeira que me acompanhará o resto da minha vida.”

Bolsonaro afirmou que espera levar ensinamentos de Israel para o Brasil: “Sabemos que Israel não é tão rico como o Brasil em recursos naturais e outras coisas. Mas eu dizia: 'Olha o que eles não têm e veja o que eles são'. E falava: 'Olha o que nós temos e veja o que não temos. Como poderemos ser iguais a eles? Ter a mesma fé que eles têm'”, continuou, citando uma passagem bíblica (João 8:32).

O presidente também mencionou a internação no hospital Albert Einstein, gerido pela comunidade judaica em São Paulo, para se recuperar do atentado a faca que sofreu durante a campanha para as eleições presidenciais.

"Dois milagres aconteceram comigo. Um é estar vivo. Fui muito bem atendido num segundo momento no hospital Albert Einstein em São Paulo", afirmou, lembrando também a Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, primeiro local em que foi atendido após ser atacado.    

Bolsonaro agradeceu o envio de equipe de salvamento israelense que ajudou nas operações de resgate e de busca de corpos em Brumadinho, em Minas Gerais, e afirmou que seu governo “está firmemente decidido a fortalecer a parceria Brasil-Israel: “A amizade entre os nossos povos é histórica. Tivemos um momento de afastamento, mas Deus sabe o que faz”, declarou, referindo-se aos anos de governo PT, quando houve distanciamento diplomático.

Ele também lembrou, em vídeo publicado nas redes sociais, que "a cooperação nas áreas de segurança e defesa também interessam muito ao Brasil". 

Antes de finalizar, Bolsonaro lembrou a criação do estado de Israel. "É motivo de muito orgulho para mim e para o povo do meu país o papel que o nosso chanceler Oswaldo Aranha desempenhou na criação do nosso estado de Israel. Eu disse nosso. Felizmente retornamos o tratamento equilibrado nas questões do Oriente Médio."  

No final do discurso, o brasileiro cometeu um erro em hebraico. Em vez de repetir “Ani ohev Israel” (Eu amo Israel), ele olhou para uma “colinha” e disse: “Ana ohev Israel”. “Ana” significa “eu” em árabe, não em hebraico.

Bolsonaro foi recebido ainda dentro do avião por Binyamin Netanyahu, e, ao desembarcar, passou em revista as tropas, colocadas sob tendas brancas improvisadas devido ao mau tempo. O hino nacional foi tocado pela banda oficial do aeroporto, bem como o Hatikva, o hino de Israel.

“Meu amigo, estamos fazendo história”, disse Netanyahu. “Fico feliz que apenas três meses depois de sua posse, em sua primeira viagem fora do continente americano, você vem a Israel para levar nosso relacionamento a um novo auge. É a maior delegação brasileira que já veio a Israel. Vamos assinar contratos em nossa cidade eterna, Jerusalém.”

Ele afirmou que Bolsonaro —que chamou de Yair, nome de seu filho mais velho— vai encontrar, em Israel, um povo que ama o Brasil. “Os israelenses amam o Brasil. A cultura latente, a música, a dança e, acima de tudo, o calor e a alegria do povo brasileiro. Brasil é um país enorme com um potencial enorme. Acredito que, sob sua direção, esse potencial vai ser realizado.”

A nove dias das eleições gerais em Israel e sob ameaças de indiciamentos por corrupção, Netanyahu pareceu animado em receber o apoio do presidente brasileiro —o que, para seus eleitores, seria um sinal de sua força diplomática mundial. Ele espera algum tipo de sinalização do líder brasileiro sobre uma possível transferência da embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, promessa feita por Bolsonaro durante a campanha presidencial.

Mas esse anúncio pode se restringir apenas à abertura de um escritório comercial em Jerusalém— assim como fez o governo da Hungria, recentemente.

Independentemente disso, o primeiro-ministro já pode registrar uma vitória. Ele deve acompanhar Bolsonaro nesta segunda-feira (1º/4) na visita ao Muro das Lamentações.

Grande parte dos líderes mundiais não aceita ir ao local com o premiê, pois o muro está localizado em Jerusalém Oriental, área exigida pelos palestinos como sua capital.

A soberania israelense sobre a parte oriental de Jerusalém não é reconhecida pela comunidade internacional e, ao ir com o premiê israelense ao muro, Bolsonaro estaria sinalizando que reconhece a soberania israelense sobre o território.

Neste domingo, Bolsonaro, que estará hospedado no hotel mais tradicional e luxuoso de Jerusalém, o King David, cumpre agenda intensa em Jerusalém. Ele assinará acordos de cooperação e terá um encontro privado com Netanyahu.

Bolsonaro e Netanyahu farão também uma declaração conjunta. À noite, será recebido para um coquetel na residência oficial do primeiro-ministro.

Nesta segunda-feira (1º/4), Bolsonaro visitará a Brigada de Resgate e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel. 

Depois, irá à Unidade de contra terrorismo da polícia Israelense e vai condecorar os israelenses da Brigada de Busca e Salvamento que atuaram nos resgates em Brumadinho.

Na parte da tarde, Bolsonaro irá à Cidade Velha de Jerusalém, onde visitará a Igreja do Santo Sepulcro e o Muro das Lamentações.

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