Descrição de chapéu Venezuela

Sem dizer como voltará à Venezuela, Guaidó convoca novas manifestações

Oposicionista, proibido de deixar o país pela ditadura de Maduro, pode ser preso ao retornar

Juan Guaidó (à esq.) cumprimenta o presidente do Equador Lenín Moreno em Salinas - Rodrigo Buendia/AFP
Salinas (Equador) | AFP e Reuters

Neste domingo (3), o líder oposicionista Juan Guaidó deixou a cidade equatoriana de Salinas, após anunciar, em uma rede social, a intenção de voltar à Venezuela para liderar novos protestos contra Nicolás Maduro na segunda e na terça, durante o Carnaval.

“Convoco o povo venezuelano a se concentrar, em todo o país, amanhã às 11h [12h, no horário de Brasília]. Atenção às redes oficiais, informaremos os pontos de concentração”, afirma o comunicado.

Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, passou a última semana visitando países sul-americanos para angariar apoio. Antes de ir ao Equador, onde visitou o presidente Lenín Moreno, esteve no Paraguai, na Argentina, no Brasil e na Colômbia. 

O oposicionista deixou Caracas no dia 21 de fevereiro para chegar à cidade colombiana de Cúcuta. Lá, tentou liderar a frustrada tentativa de entrada de ajuda humanitária coordenada pelos EUA e em colaboração com os governos de Colômbia e Brasil. 

Guaidó não divulgou como voltará à Venezuela, e sua situação caso retorne é nebulosa. Ele foi proibido de deixar o país e teve as contas bloqueadas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), alinhado a Maduro. Segundo o oposicionista, para atravessar a fronteira e chegar a Cúcuta, recebeu ajuda de militares venezuelanos.

Guaidó viajou a Salinas acompanhado de sua esposa, Fabiana Rosales e pelo embaixador nomeado para Quito, René De Sola.

Durante a visita, ele andou com Moreno ao longo do calçadão, onde tirou fotos com pessoas que acompanhavam a caminhada.

"Estamos dispostos a sermos aqueles que ajudaram a liberdade a finalmente voltar para a Venezuela", disse Moreno, cujo país é um dos principais destinos dos imigrantes venezuelanos. O governo do Equador estima que 250 mil venezuelanos vivam no país, 100 mil deles com visto.

"Esse estado falido, completamente falido, não deve ir mais longe", disse, referindo-se ao regime do ditador Nicolás Maduro. "Estamos no caminho para sair deste abismo que ele nos colocou, esse mal chamado socialismo do século 21", disse ele.

Depois de se encontrar com Moreno, Guaidó deixou Salinas em um avião da força aérea do Equador em direção a Guayaquil. Para chegar a Caracas na segunda-feira, ele poderia tomar voos comerciais desde Bogotá ou Cidade do Panamá. A assessoria de imprensa de Guaidó não revela detalhes de sua rota.

O ditador Nicolás Maduro já declarou que Guaidó “pode sair e voltar, mas terá de dar explicações à Justiça, porque foi proibido de deixar o país”. 

O TSJ impôs a proibição após Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, declarar-se presidente interino da Venezuela, em 23/1, argumentando que a “presidência foi usurpada por Maduro”, reeleito em eleições consideradas fraudulentas, boicotada por grande parte da oposição e sem a presença de observadores internacionais. 

A possibilidade de prisão de Guaidó foi criticada pelos EUA e pelo Brasil. Na sexta, a secretária-adjunta para assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano, Kimberly Breier, afirmou que prender Guaidó seria “o último erro que o regime cometeria”.

 

No dia seguinte, o ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu comunicado pedindo que “os direitos e segurança do presidente Guaidó (...) sejam plenamente respeitados por aqueles que ainda controlam o aparato de repressão do regime”.

Maduro diz que Guaidó está tentando fomentar um golpe apoiado pelos EUA e que a tentativa de entrada de ajuda humanitária seria um cavalo de Troia para uma intervenção militar americana.

John Bolton, assessor de Segurança Nacional de Trump, afirmou em entrevista à CNN neste domingo (3) que os EUA não tem medo de usar a expressão “doutrina Monroe” quando se trata de defender a democracia no seu hemisfério.

A Doutrina Moroe, adotada pelos EUA no século 19, pregava forte nacionalismo com a intenção de se opor as pretensões coloniais da Europa. 

Posteriormente, a doutrina abriu espaço para justificar intervenções dos EUA na América Latina e no Caribe.

A ditadura venezuelana ainda tem o apoio das Forças Armadas do país e de potências como China e Rússia. No sábado, em conversa por telefone com o Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, o chanceler russo, Sergei Lavrov, condenou a “flagrante interferência” de Washington na Venezuela.

“A provocação e a influência estrangeira destrutiva, mesmo sob o pretexto hipócrita de ajuda humanitária, não tem nada a ver com o processo democrático”, disse Lavrov. O governo russo está “disposto” a realizar consultas bilaterais com Washington sobre a Venezuela, desde que “sigam rigorosamente os princípios da Carta das Nações Unidas”.

Lavrov recebeu na sexta-feira a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, em Moscou, e prometeu que a Rússia continuará a fornecer ajuda humanitária “legítima”.

 
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