Descrição de chapéu Financial Times

Incerteza súbita após acidentes expõe fragilidade do sucesso da Boeing

Ações subiram quase 400% nos três últimos anos, mas sofrem queda desde acidente na Etiópia

Financial Times

Todas as grandes companhias industriais oferecem a Wall Street uma versão da mesma mensagem: em um mundo que está prosperando e se urbanizando, nossa tecnologia será indispensável.

A maior parte das empresas que confiaram nessa visão ficaram bem aquém do esperado.

Até agora, a mais bem sucedida dessas companhias vinha sendo a Boeing, cujas ações subiram em quase 400% nos três últimos anos, por força da expansão da aviação civil nos países em desenvolvimento.

Esse sucesso está sob ameaça depois de duas quedas de seus jatos 737 Max, de nova geração. A mais recente aconteceu sábado (9) na Etiópia

A perda de vidas foi tão terrível que a queda de 7% no valor de mercado das ações da companhia, equivalente a US$ 16 bilhões, só deveria ser mencionada de passagem. 

O sucesso financeiro recente da Boeing tem sido substancial. A súbita incerteza quanto ao 737 expõe o quanto essa vantagem é frágil. 

A companhia estimou que a demanda mundial por jatos novos seria de 40 mil unidades nos próximos 20 anos. O crescimento anual de 6% a 7% no volume de passageiros é cerca de duas vezes maior que o crescimento econômico mundial.

Desses aviões —a maioria tem fuselagem estreita para viagens intracontinentais—, sete mil irão para a China.

A companhia enfrenta problemas com os custos do 787 Dreamliner, mas seu desempenho vem melhorando. A Boeing estima um fluxo de caixa operacional de mais de US$ 17 bilhões em 2019, quase o dobro do nível de 2014. 

Diante de necessidades modestas de investimento de capital, a empresa vem conseguindo devolver aos investidores a maior parte do fluxo de caixa, em forma de recompras de ações e dividendos.

A Boeing informa que toda a sua produção de 737s está vendida até 2023 e que cerca de um terço de sua receita e de seus lucros operacionais vem de diversas versões desse modelo. Esses jatos são extremamente complexos em termos de design, eletrônica e computação. 

Alguns analistas acreditam que, com alterações no treinamento dos pilotos e no software, as preocupações de segurança com o 737 podem ser resolvidas. 

A lição menos reconfortante é a de que as companhias industriais agora são negócios de tecnologia, com a opacidade que isso envolve. A diferença é que o que está em jogo são vidas, e não só a conveniência dos consumidores. 
 

Tradução de Paulo Migliacci

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