Jornalista filipina premiada é presa pela segunda vez neste ano

Maria Ressa foi eleita uma das 'Pessoas do Ano 2018' pela revista americana Time

Maria Ressa, ao centro, é escoltada por policiais após desembarcar na capital Manila nesta sexta (29)
Maria Ressa, ao centro, é escoltada por policiais após desembarcar na capital Manila nesta sexta (29) - AFP
Manila (Filipinas) | Reuters

Maria Ressa, diretora do site de notícias Rappler, conhecido por reportagens que investigam o governo do presidente Rodrigo Duterte, das Filipinas, foi presa nesta sexta-feira (29, quinta à noite em Brasília), após desembarcar no aeroporto de Manila. 

Ela é acusada de violar uma lei segundo a qual apenas filipinos podem ser proprietários de empresas de mídia no país.

"Estou sendo tratada como uma criminosa sendo que o meu único crime é ser uma jornalista independente", disse ela.

Segundo investigações das autoridades filipinas, a empresa indonésia Omidyar Network investiu no site de notícias no qual Ressa também é a CEO, o que configuraria violação das normas que reservam a atividade a cidadãos e empresas filipinos.

De acordo com o Rappler, o investidor não tem poderes para interferir nas operações da companhia. 

Em uma rede social, Ressa postou vídeos do momento em que foi presa e afirmou que pagará a fiança de US$ $1.716 (cerca de R$ 6.700). 

Esta seria a sétima vez em que ela paga fiança para ser libertada. A ONG Human Rights Watch afirmou que a perseguição à jornalista não tem precedentes.

"O episódio mostra claramente a determinação da gestão Duterte de fechar o site [Rappler] devido às reportagens consistentes sobre o governo, especialmente sobre a 'guerra às drogas' e a execução extrajudicial de civis e suspeitos de tráfico", afirmou a entidade em um comunicado. 

O presidente Duterte não esconde sua irritação com o site e frequentemente confronta seus repórteres, que são conhecidos por escrutinar suas decisões e nomeações, além de questionar a veracidade de suas declarações polêmicas. 

Em 13 de fevereiro deste ano, policiais compareceram ao estúdio de televisão no qual Ressa participava de uma transmissão ao vivo para cumprir um mandado de prisão contra ela

Depois de passar um dia detida, Ressa pagou fiança no valor de US$ 1.900 (cerca de R$ 7.400) e foi liberada.

A jornalista, editora-executiva do Rappler, foi acusada de "difamação virtual" devido a uma reportagem de 2012, atualizada em 2014, que relacionou um empresário a assassinatos e tráfico de pessoas e de drogas, com base em informações contidas em um relatório de inteligência de uma agência não identificada. 

Ela pode ser condenada por até 12 anos de prisão por esse caso.

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