Na CIA, Bolsonaro se encontrou com diretora acusada de tortura

Reunião com Gina Haspel foi mantida em segredo pelo Palácio do Planalto

Patrícia Campos Mello
Washington

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu na manhã desta segunda-feira (18) com a diretora da CIA, Gina Haspel.

A nomeação de Haspel para o cargo pelo presidente Donald Trump causou protestos, porque ela era responsável por prisões secretas da agência de inteligência americana, em que interrogadores usavam sistematicamente a tortura como forma de extrair confissões de acusados de terrorismo.

A diretora da CIA, Gina Haspel, presta depoimento em comissão do Senado - Win McNamee - 29.jan.19/Getty Images/AFP

Os agentes da CIA usavam técnicas como simulação de afogamento, injeção retal, privação de sono e outros.

Em audiência no Congresso, ela se recusou a admitir que tais métodos configuravam tortura e afirmou que foram importantes para reunir informações sobre membros da facção terrorista Al Qaeda.

Na ocasião, Trump defendeu a indicação, dizendo em rede social: "Minha indicada a diretora da CIA, altamente respeitada, Gina Haspel, passou a ser atacada porque foi dura demais com terroristas... Vença, Gina!".

De início, o encontro de Bolsonaro com Haspel foi mantido em segredo pelo Planalto e descrito apenas como "agenda privada".

Depois, o Planalto o divulgou, mas omitiu o nome da pessoa que havia recepcionado o presidente e seu filho, Eduardo Bolsonaro, informando apenas que a reunião serviu para debater "questões de combate ao crime organizado e ao narcotráfico".

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