Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Não há previsão' de Brasil reconhecer soberania de Israel sobre Golã, diz porta-voz

Bolsonaro embarca no sábado (30) para o país; Trump defende direito de Israel sobre o território

Brasília

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta sexta-feira (29) que “não há previsão” de o governo brasileiro reconhecer a soberania de Israel sobre as colinas de Golã.
O presidente Jair Bolsonaro embarca neste sábado (30) para uma visita oficial a Israel que durará até quarta-feira (3/4).

O território das colinas de Golã foi tomado da Síria por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e posteriormente anexado pelos israelenses, num ato sem reconhecimento internacional.

Na semana passada, no entanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse reconhecer o direito do estado judeu sobre o território, o que gerou críticas de organismos internacionais e de países como Turquia, Rússia, Irã e membros da União Europeia.

Com a afirmação de Rêgo Barros de que o Brasil não deve seguir o gesto dos Estados Unidos, o governo Bolsonaro dá uma outra sinalização de que pretende adotar um tom mais cauteloso na política de aproximação com Israel.

Embora na campanha eleitoral Bolsonaro tenha prometido transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém —principal pleito dos israelenses—, o presidente mudou seu discurso sobre o tema. Nesta quinta-feira (28), ele disse que “talvez” o Brasil abra um escritório de negócios em Jerusalém, um gesto diplomático de muito menor impacto do que a mudança da embaixada.

O porta voz do governo Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto
O porta voz do governo Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress

Nesta sexta (29), Rêgo Barros reforçou as palavras de Bolsonaro. “Nosso presidente está demandando estudos para a avaliação da instalação de um escritório de negócios em Jerusalém”, disse.

Ao contrário do que ocorreu nas duas primeiras visitas internacionais de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, não participará da viagem a Israel. Ele é o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

De acordo com Rêgo Barros, acompanharão Bolsonaro os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Bento Costa Lima (Minas e Energia), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Augusto Heleno (Segurança Institucional).

Integrarão a comitiva ainda os senadores Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Chico Rodrigues (DEM-RR) e Soraya Thronicke (PSL-MS), além da deputada Bia Kicis (PSL-DF). Também irão a Israel o chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, tenente-brigadeiro do Ar Raul Botelho, e o secretário nacional de pesca e aquicultura do ministério da Agricultura, Jorge Seif Júnior.

Durante a viagem, está prevista a assinatura de acordos entre os dois países. Estão na agenda entendimentos nas áreas de ciência e tecnologia, defesa, segurança pública, serviços aéreos, saúde e medicina, embora a lista final de acordos ainda não esteja fechada.

​O porta-voz disse nesta sexta que o acordo em ciência e tecnologia que pode ser assinado, por exemplo, tem por objetivo “desenvolver, facilitar e maximizar a cooperação entre instituições científicas e tecnológicas de ambos países”.

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