Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Nome de diplomata para embaixada brasileira nos EUA ganha força

Consultor com maior acesso investidores e empresários também é cogitado

Marina Dias
Washington

A atuação do diplomata Nestor Forster durante a viagem de Jair Bolsonaro aos EUA fortaleceu sua possível indicação para o cargo de embaixador do Brasil em Washington, que deve ser anunciada até o fim de abril.

Com a bênção de Olavo de Carvalho —guru ideológico do governo e de quem é amigo há mais de 20 anos— Forster teve a chancela do grupo de confiança de Bolsonaro para tomar decisões estratégicas na visita a Donald Trump.

Foi o diplomata, por exemplo, quem sugeriu que os presidentes trocassem camisetas de suas seleções de futebol no Salão Oval da Casa Branca.

Bolsonaro levou a Trump uma de número 10, o mesmo usado pelo ex-jogador Pelé, que encerrou sua carreira em um time de Nova York. Em troca, recebeu uma da seleção americana.

Forster também deu a ideia de mudar o destino de Bolsonaro após o encontro com Trump na terça-feira (19). 

Inicialmente, o brasileiro iria ao Memorial Nacional da Segunda Guerra.

O diplomata, porém, avaliou que seria mais interessante uma visita ao Cemitério Nacional de Arlington, que homenageia veteranos de todas as guerras travadas pelos americanos —lá, o presidente foi recebido por dezenas de militares sob o Hino Nacional do Brasil.

Ao lado do chanceler Ernesto Araújo, outro entusiasta de seu nome para o cargo, Forster organizou ainda a lista do jantar de recepção a Bolsonaro na capital americana. 

Na residência do atual embaixador, Sérgio Amaral, pensadores, jornalistas e financistas conservadores debateram temas relacionados à política externa no que foi chamado de “Santa Ceia” da direita.

Discreto, Forster não falou durante o evento no domingo (17). Aliados afirmam que ele não queria ofuscar os discursos de Araújo e de Amaral —que ali anunciou sua aposentadoria, acatada simbolicamente pelo presidente.

O jantar deu o tom do alinhamento ideológico que Bolsonaro queria imprimir em sua primeira viagem bilateral e fez com que Forster ganhasse créditos com a equipe mais próxima e o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro.

Foi de Eduardo, inclusive, o spoiler público da possível indicação de Forster.

Em vídeo divulgado nas suas redes sociais, o deputado —eleito presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara— identifica o diplomata como “embaixador Forster” em uma das legendas.

No Itamaraty, a preferência é por alguém da carreira diplomática —o que afasta as chances de o consultor Murilo de Aragão assumir o posto. Como mostrou a Folha, seu nome —apoiado pelo general Augusto Heleno (GSI)—havia ganhado força às vésperas da viagem de Bolsonaro a Washington.

Forster, porém, é ministro de segunda classe na carreira diplomática —é necessário que chegue à primeira para apresentar credenciais e se tornar embaixador. Mas ele já está no chamado quadro de acesso, que lista diplomatas que serão promovidos, e sua ascensão deve sair até junho.

Se confirmada, a indicação de Forster será mais uma vitória do núcleo ideológico do governo —do qual fazem parte Araújo e os filhos do presidente.

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