Descrição de chapéu The New York Times

Parlamentar dinamarquesa é expulsa da Câmara por levar filha bebê

Ordem de retirada partiu da primeira mulher a ser presidente do Parlamento dinamarquês

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

The New York Times

Um século de avanços para mulheres na Dinamarca foi posto em debate nesta semana quando uma parlamentar disse a uma colega que não havia lugar para o bebê dela no Parlamento.

O episódio deu início a uma discussão nacional sobre igualdade de gênero e as dificuldades que os pais encontram para balancear a vida profissional e a familiar em um dos países com as mais generosas licenças parentais.

A mãe, Mette Abildgaard, 30, revelou o episódio em uma rede social. A autora do comentário é Pia Kjaersgaard, 72, a primeira mulher a ser presidente do Parlamento dinamarquês; ela disse que a presença da filha era indesejada, segundo Abildgaard.

Mãe e bebê foram retiradas da sala. 

Mette Abildgaard, expulsa de uma sessão do Parlamento da Dinamarca por ter consigo sua bebê de seis meses
Mette Abildgaard, expulsa de uma sessão do Parlamento da Dinamarca por ter consigo sua bebê de seis meses - Divulgação

A expulsão uniu vários legisladores de diferentes correntes políticas para protestar contra o que eles consideraram ser uma posição ultrapassada e injustificável. 

"Desde que não haja gritos ou choro, não há como incomodar alguém" afirmou Pernille Skippe, da Aliança Vermelha-Verde, de esquerda. 

Outros parlamentares chamaram a retirada das duas do recinto de incompreensível e exigiram desculpas da presidente da Casa. 

Os dinamarqueses estão acostumados a uma grande flexibilidade para balancear trabalho e vida familiar —eles têm direito a licença remunerada de um ano, folgas remuneradas para os pais quando os filhos ficam doentes e creches subsidiadas. 

Abildgaard explicou em sua publicação que levou a criança ao trabalho porque decidiu retornar mais cedo de sua licença como forma de "servir à democracia".

Uma das votações exigiu sua presença de última hora, e seu marido não conseguiu chegar ao local a tempo de cuidar de Esther Marie, que tem cinco meses de idade.

A criança tinha uma chupeta, ficou em silêncio e "estava de bom humor" no plenário, disse Abildgaard. Ela também afirmou que tinha arranjado para que sua assessora levasse a bebê, caso começasse a fazer barulho. 

Kjaersgaard defendeu sua decisão na terça (19), afirmando que tinha pedido de forma discreta a uma servidora que dissesse a Abilgaard que "não é bom" levar bebês ao local —teria sido um acontecimento menor, segundo ela. 

O ato da presidente do Parlamento recebeu algum apoio. Marlene Harpsoe, do Partido Popular Dinamarquês, disse que a decisão havia sido "totalmente justa". 

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.