Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Presos, repressores da ditadura de Pinochet pedem encontro com Bolsonaro

Condenados por violações de direitos humanos querem mostrar ao brasileiro 'situação em que se encontram'

Sylvia Colombo
Santiago

Raúl Meza Rodríguez, advogado de repressores do período militar chileno (1973-1990), encaminhou ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (22), uma carta pedindo que ele faça uma visita ao presídio de Punta Peuco, onde os ex-militares estão presos. 

Eles foram condenados por diversas violações de direitos humanos durante o período pinochetista. Na carta, pedem que Bolsonaro vá "observar a situação em que se encontram, na qualidade de militar".

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (segundo, da esq. para a dir.), ao lado dos presidentes de Colômbia, Chile e Argentina
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (segundo, da esq. para a dir.), ao lado dos presidentes de Colômbia, Chile e Argentina - Rodrigo Garrido/Reuters

Mencionam a intenção de apresentar ao brasileiro um relatório sobre as doenças que têm e os casos de condenados idosos que pediram para deixar a prisão devido à idade, mas que não obtiveram indulto nem no governo de Michelle Bachelet nem no de Sebastián Piñera.

"Presidente Bolsonaro, queremos dizer-lhe que os soldados liderados pelo general Pinochet e que impediram o Chile de se transformar numa nova Cuba, enfrentando o terrorismo, hoje são perseguidos políticos, condenados a viver encarcerados pelo resto da vida e morrer sem dignidade e longe de seus seres queridos."

O pedido não teve resposta por parte da Presidência do Brasil. Bolsonaro está no Chile para a fundação do Prosul, bloco que vai reunir “países democráticos que praticam o livre-comércio”, nas palavras de Sebastián Piñera, presidente do Chile, e pressionar a Venezuela para que se redemocratize.

Ao desembarcar em Santiago, o presidente disse que não tinha ido ao Chile para falar de Pinochet.

"Tem gente que gosta dele, tem gente que não gosta. O regime militar aqui foi muito parecido ao do Brasil", disse Bolsonaro. 

"Eu acho que essa questão da dita ditadura aqui no Cone Sul tem que ser levada à luz da verdade. Nós chegamos a uma conclusão e pacificamos. Não podemos dar voz à esquerda, que sempre tem um lado, para dizer que aquele lado estava certo e não o outro.” 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.