Descrição de chapéu Brexit

Primeira-ministra do Reino Unido diz que renunciará se Parlamento aprovar acordo do brexit

Theresa May não especificou quando pretende renunciar, mas indicou que isso ocorrerá no curto prazo

Cartaz contra o brexit é exibido durante protesto na frente do Parlamento britânico nesta quarta (27)
Cartaz contra o brexit é exibido durante protesto na frente do Parlamento britânico nesta quarta (27) - Paul Ellis/AFP
Paris

​A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse nesta quarta-feira (27) a um grupo de deputados de seu Partido Conservador que vai deixar o posto se o acordo de saída do país da União Europeia for aprovado.

A chefe de governo não indicou uma data certa para a renúncia, mas espera-se que, havendo sinal verde do Legislativo para o pacto, ela se concretize no curto prazo.

A primeira-ministra britânica Theresa May deixa a residência oficial nesta quarta (27)
A primeira-ministra britânica Theresa May deixa a residência oficial nesta quarta (27) - Alkis Konstantinidis/Reuters

O anúncio desviou os holofotes da bateria de votos indicativos realizada no Parlamento, no começo da noite, para medir o apoio da Casa a um cardápio de “planos B” ao trato firmado entre Londres e Bruxelas. Nenhuma das 8 propostas apreciadas conseguiu angariar maioria.

“Estou preparada para sair deste cargo mais cedo do que eu previa para fazer o que é correto para o nosso país e para o nosso partido”, afirmou May, que, em dezembro passado, comprometera-se a ceder o lugar antes das próximas eleições gerais, por ora programadas para 2022.

“Sei que existe um desejo de uma nova abordagem e de uma nova liderança na segunda fase das negociações do brexit [que definirá a relação comercial futura com a UE]. Não serei um obstáculo a isso”, completou a conservadora.

Ela pediu ainda que os parlamentares ali presentes completassem “nosso dever histórico: seguir a decisão do povo britânico e deixar a União Europeia de modo suave e ordenado”.

Segundo jornalistas britânicos, a passagem de bastão poderia ocorrer em meados de julho, depois de May participar de sua última cúpula internacional, a reunião do G20 em Osaka (Japão), no fim do mês anterior.

Pouco depois do anúncio, o líder da oposição, Jeremy Corbyn (Partido Trabalhista), escreveu em uma rede social que May havia conduzido as negociações do brexit pensando mais em interesses partidários do que em princípios e no interesse público.

“Uma mudança de governo não pode ser uma artimanha do Partido Conservador. As pessoas têm que [poder] decidir”, defendeu ele, que há meses bate na tecla de que a solução para o impasse em Londres em torno do brexit seria convocar eleições gerais.​

O documento que rege a separação já foi rechaçado duas vezes pelo Parlamento britânico, em janeiro (por uma maioria de 230 votos) e em meados de março (por uma ainda elástica diferença de 149).

Os partidários de um rompimento a seco (sem período de transição para adaptação de lado a lado) vinham sinalizando a emissários do governo nos últimos dias que só endossariam o acordo fechado pela primeira-ministra em novembro de 2018 se ela se comprometesse a deixar a função.

Feita a concessão nesta quarta, a expectativa é que o pacto de separação seja levado a votação em plenário pela terceira vez até sexta (29).

Na semana passada, a UE disse que, se o texto fosse aprovado pelos deputados até esta data, 29, o Reino Unido poderia permanecer no bloco até 22 de maio –os quase dois meses serviriam para passar a legislação de que Londres precisará como “país solo”, como a relativa a comércio, pesca e imigração.

Na noite de quarta (27), o Partido Unionista Democrático, da Irlanda do Norte, essencial à sustentação do governo May e à aprovação do pacto, anunciou que continua se opondo ao teor do documento. Isso significa 10 votos a menos.

Por outro lado, alguns baluartes da ala mais radical do Partido Conservador, que vinham rejeitando um acordo tido por eles como demasiado subserviente à Europa, disseram ter mudado de opinião. Não se sabe ainda se o contingente dos “vira-casacas” será numeroso o suficiente para mudar a sorte de May no plenário.

Enquanto o governo fazia as contas, iam a voto na Câmara dos Comuns as oito propostas de roteiro alternativo para o brexit apresentadas por deputados.

O leque de opções ia desde um “divórcio litigioso”, sem acordo (o chamado “no deal”), em 12 de abril, até a revogação da saída britânica, justamente para evitar a separação abrupta.   

As duas ideias que chegaram mais perto da aprovação foram a de o governo negociar a manutenção do Reino Unido em uma união aduaneira com os 27 membros da UE (derrubada por apenas 8 votos) e a de submeter qualquer plano aprovado pelo Parlamento a um referendo popular (rechaçada por uma diferença de 27 votos).

O acordo fechado por May prevê a saída do Reino Unido do mercado comum europeu e de instituições continentais. Um mecanismo para evitar a volta de uma fronteira “dura” (com controles de pessoas e mercadorias) na fronteira entre as Irlandas está na raiz do cabo-de-guerra interminável que se vê no Legislativo.

A proposta é que, caso a futura relação comercial entre as partes não tenha sido definida faltando seis meses para o fim do período de transição pós-brexit (ou seja, em julho de 2020), entre em vigor uma união aduaneira temporária entre britânicos e europeus.

Setores do Partido Conservador dizem se tratar de uma armadilha da UE para manter Londres sob influência do bloco por tempo indeterminado.

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