Primeira-ministra diz que não citará nome de autor de massacre na Nova Zelândia

Extremista realizou ataque em mesquitas que deixaram 50 mortos na sexta-feira

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, durante entrevista coletiva no Parlamento
A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, durante entrevista coletiva no Parlamento - David Lintott/AFP
Christchurch (Nova Zelândia) | AFP

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, enviou nesta terça-feira (19) uma mensagem de paz aos muçulmanos e prometeu que jamais pronunciará o nome do autor dos ataques contra duas mesquitas em Christchurch.

Também nesta terça, os corpos de seis vítimas foram entregues a suas famílias.

Em uma sessão especial do Parlamento, Ardern declarou que o supremacista branco responsável pelo massacre de Christchurch, cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia, enfrentará toda a força da lei.

Cinquenta pessoas foram mortas na sexta-feira (15), durante as orações da tarde, por um australiano de 28 anos que transmitiu ao vivo as imagens dos ataques, após ter publicado um manifesto racista.

"Com este ato terrorista ele buscava várias coisas, entre elas notoriedade, por isto jamais me ouvirão dizer seu nome", declarou Ardern aos deputados em Wellington, capital do país. 

"Peço a vocês: digam os nomes dos que morreram no lugar do nome do homem que provocou tais mortes. É um terrorista, um criminoso, um extremista, Mas, quando eu falar, não terá nome."

Com o discurso, muito emocionado, ela também enviou uma mensagem à comunidade muçulmana. Vestida de preto e com um gesto solene, a chefe de governo, de 38 anos, abriu a sessão com a expressão "salam aleikum" ("que a paz esteja sobre vós", em árabe), habitual no mundo muçulmano.

"Na sexta-feira terá passado uma semana desde o ataque, e os membros da comunidade muçulmana se reunirão para a oração neste dia. Reconheçamos sua dor."

Dezenas de familiares de vítimas de todo o mundo são aguardadas em Christchurch para os funerais.

Mas a lentidão do processo de identificação e as necessidades das investigações médico-legais agravam a dor dos parentes das vítimas.

A tradição muçulmana prevê o sepultamento do corpo em um prazo de 24 horas após a morte.

Javed Dadabhai, que viajou de Auckland para enterrar seu primo, disse que as autoridades informaram aos parentes que o processo seria "lento, muito exaustivo".

Depois de informar que entregou às famílias seis corpos de vítimas do massacre de Christchurch, a polícia advertiu que apenas 12 das 50 vítimas foram identificadas formalmente.

"A polícia é consciente da impaciência das famílias com o período de tempo necessário para o processo de identificação após o ataque terrorista de sexta-feira", afirmou a força de segurança em um comunicado.

De acordo com uma lista que circula entre as famílias, as vítimas tinham entre 3 e 77 anos. Muitos eram da região, mas outros procediam de países distantes, como Egito e Jordânia.

Após o ataque, a primeira-ministra Ardern prometeu uma reforma na legislação sobre armamentos na Nova Zelândia, que permitiu ao atirador comprar o arsenal que usou no massacre, incluindo armas semiautomáticas.

Os neozelandeses começaram a responder ao apelo do governo para que entreguem suas armas.

Ardern afirmou que nos próximos dias serão anunciadas medidas precisas sobre as restrições, mas deu a entender que estão relacionadas à proibição de alguns fuzis semiautomáticos.

O extremista Brenton Tarrant, de 28 anos, foi acusado de assassinato, mas a primeira-ministra afirmou que ele responderá a mais acusações. "Enfrentará toda a força da lei na Nova Zelândia", prometeu.

Ardern também anunciou uma investigação para determinar como o australiano planejou e executou os ataques na Nova Zelândia sem ser identificado pelos serviços de segurança.

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