EUA suspendem voos com modelo de Boeing que caiu na Etiópia

Agência cita novas evidências e imagens de satélite para justificar decisão; caixas-pretas irão para a França

Washington | Reuters

Os EUA se somaram nesta quarta-feira (13) ao conjunto de mais de 50 países que vetaram voos com o modelo 737 MAX da Boeing devido a preocupações com a segurança da aeronave.

A Anac (Agência Nacional de Aviação) também anunciou a suspensão das operações dos aviões do mesmo modelo no espaço aéreo brasileiro.

A agência reguladora informou que tomou a decisão após consultar autoridades americanas, a Boeing e as companhias aéreas locais. 

No último domingo, um avião Boeing MAX 8 da Ethiopian Airlines caiu logo após a decolagem, próximo a Adis Abeba, capital da Etiópia. Em outubro do ano passado, o mesmo tipo de aeronave, da companhia Lion Air, caiu na Indonésia.

Todas as pessoas a bordo dos dois voos morreram nas quedas. 

A agência reguladora da aviação americana (FAA, na sigla em inglês), citou evidências coletadas no local do acidente na Etiópia e novas imagens de satélite como razão para determinar a proibição. 

Boeing 737 MAX 8 da American Airlines se aproxima de portão no aeroporto de Miami, na Flórida - Joe Raedle/Getty Images/AFP

Companhias aéreas americanas que operam o 737 MAX —Southwest Airlines, American Airlines e United Airlines— afirmaram que estão trabalhando para reacomodar os passageiros.

A Southwest é a maior operadora desse modelo no mundo, com 34 aviões, o que representa, no entanto, menos de 5% de seus voos.

A American Airlines tem 24 aeronaves do tipo. A United possui 14 MAX 8 que fazem cerca de 40 voos por dia, e não prevê “impacto significativo nas operações”, afirmou a empresa em uma rede social. 

“A agência tomou essa decisão como resultado do processo de coleta de informações e novas evidências coletadas no local e analisadas hoje”, afirmou nota da FAA.

“Essas evidências, em conjunto com informações de satélite refinadas e disponibilizadas para a FAA nesta manhã, levaram a essa decisão.”

A nota foi divulgada momentos depois de o presidente Donald Trump ter anunciado que os aviões seriam vetados no espaço aéreo americano.

“A Boeing é uma empresa incrível”, disse Trump ao anunciar a medida a jornalistas na Casa Branca.

A proibição vai vigorar enquanto durar a investigação sobre o acidente. 

Em nota, a Boeing manteve a posição de que as aeronaves são seguras mas apoiou a decisão de deixá-las no solo temporariamente.

“A Boeing decidiu —por uma questão de excesso de cuidado e para tranquilizar o público sobre a segurança da aeronave— recomendar à FAA a suspensão temporária das operações de toda a frota global de 371 aeronaves 737 MAX.”

Tim Ghriskey, estrategista-chefe de investimentos da Inverness Counsel, em New York, afirmou que a decisão dá à Boeing tempo para resolver os problemas com o avião e não enfrentar outro potencial acidente. 

Canadá também decidiu suspender o uso do 737 MAX nesta quarta, afirmando que informações de satélite sugerem semelhanças entre os acidentes na Etiópia e na Indonésia. 

As informações foram fornecidas pela empresa Aireon às autoridades aéreas de EUA, Canadá e de outros países, afirmou a porta-voz Jessie Hillenbrand.

O porta-voz da Ethiopian Airlines Asrat Begashaw disse que não está claro ainda o que ocorreu no domingo, mas que o piloto havia relatado à torre problemas de controle da aeronave, o que exclui fatores externos como colisões com aves.

“O piloto relatou problemas de controle do voo e pediu para retornar. De fato, ele recebeu autorização para voltar”, afirmou. 

A FAA informou que as caixas-pretas do avião estavam sendo levadas para a França para análise. Durante a investigação, serão examinados dados de voo e gravações de voz do cockpit. 

Esta é a segunda vez que a agência de aviação americana suspende operações de um modelo da Boeing nos últimos seis anos. Em 2013, a FAA paralisou as atividades do 787 Dreamliner devido a problemas com fumaça em baterias. 

Mais de cinquenta países

Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Panamá também adotaram medidas de suspensão após a divulgação da decisão da Anac. As companhias Copa Airlines e Aeroméxico já tinham voluntariamente paralisado suas operações com os aviões.

Agência reguladora da Argentina —um dos maiores mercados da região, depois do Brasil— não impôs veto ao modelo.

A Aerolíneas Argentinas possui unidades do Boeing 737 MAX 8 e 9 e decidiu deixar temporariamente os aviões no solo.

Países que vetaram voos com o 737 MAX

  • Alemanha
  • Austrália
  • Áustria
  • Bélgica
  • Bermudas
  • Brasil
  • Bulgária
  • Canadá
  • Chile
  • China
  • Chipre
  • Cingapura
  • Colômbia
  • Costa Rica
  • Croácia
  • Dinamarca
  • Emirados Árabes Unidos
  • Eslováquia
  • Eslovênia
  • Espanha
  • Estados Unidos
  • Estônia
  • Finlândia
  • França
  • Grécia
  • Holanda
  • Hungria
  • Índia
  • Indonésia
  • Irlanda
  • Islândia
  • Itália
  • Kuwait
  • Letônia
  • Liechtenstein
  • Lituânia
  • Luxemburgo
  • Malta
  • Malásia
  • México
  • Noruega
  • Omã
  • Panamá
  • Polônia
  • Portugal
  • Reino Unido
  • República Tcheca
  • Romênia
  • Suécia
  • Suíça
  • Ucrânia
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