Descrição de chapéu Governo Trump

Trump propõe orçamento que eleva gasto militar e revê auxílios a pobres e idosos

Presidente prevê gasto de US$ 4,7 trilhões; sendo US$ 8,6 bi para o muro na fronteira

Soldados dos EUA durante patrulhamento no Afeganistão - Omar Sobhani - 7.ago.2018/Reuters
Washington | Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira (11), ao apresentar o seu Orçamento para 2020, a revisão de valores destinados a programas sociais que ajudam norte-americanos pobres e idosos, ao mesmo tempo que quer aumentar gastos militares e financiamento para o muro na fronteira com o México.

A proposição reabrirá discussões com o Congresso norte-americano em torno do orçamento do país.

A proposta de orçamento, de US$ 4,7 trilhões (cerca de R$ 17,9 trilhões), foi imediatamente criticada por democratas no Congresso, que rejeitaram o esforço de Trump para conseguir financiamento para a construção do muro na fronteira com o México. O impasse anterior resultou em uma paralisação parcial de cinco semanas do governo, a maior da história dos EUA.

Assim como propostas passadas de orçamento presidencial, é improvável que o plano de gastos de Trump seja aprovado, especialmente com democratas no controle da Câmara dos Deputados. A proposta, no entanto, serve como espécie de manifesto antecipado das prioridades políticas que ele trará para sua campanha de reeleição em 2020.

"O presidente Trump de alguma forma conseguiu produzir um pedido de orçamento ainda mais descolado da realidade do que os dois anteriores", disse a deputada democrata Nita Lowey, presidente do Comitê de Apropriações da Câmara.

O senador democrata Patrick Leahy, presidente do Comitê de Apropriações do Senado, disse em nota que o plano de Trump "não vale o papel no qual foi impresso".

Neste ano, há mais em jogo por um acordo do que no ano passado. Um prazo de 1º de outubro para manter o governo em funcionamento coincide com um prazo para elevar o limite da dívida. Sem um aumento no limite, o governo dos EUA ficaria sob risco de déficit, o que provocaria um choque na economia mundial.

O orçamento de Trump inclui propostas para reformar o Medicare, Medicaid e outros programas sociais custosos que compõem a rede de segurança social norte-americana e ajudam pobres e desprivilegiados.

O plano também pede US$ 8,6 bilhões adicionais para construir um muro na fronteira com o México. Esse número é seis vezes maior do que o Congresso concedeu a Trump para projetos na divisa em cada um dos dois últimos anos fiscais, e 6% a mais do que ele arrecadou ao declarar estado de emergência neste ano, após não conseguir o valor desejado.

Defesa

Trump também pede que os gastos com defesa cresçam mais 4%, a US$ 750 bilhões, usando a conta emergencial do Overseas Contingency Operations (COO) —ridicularizada por conservadores como um fundo secreto— para contornar tetos de gastos determinados em uma lei de restrição fiscal de 2011.

Gastos não relacionados à defesa foram mantidos abaixo desses limites, graças a acentuadas propostas de cortes de financiamento no Departamento de Estado (23%) e na Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês; 31%), entre outros.

Mesmo com os cortes, que, segundo a Casa Branca totalizarão economia de US$ 2,7 trilhões em mais de uma década, o gabinete de orçamento disse que o plano de Trump não terá equilíbrio até 2034, superando a perspectiva tradicional de dez anos.

Cortes tributários têm sido uma prioridade para a Casa Branca e Congresso republicanos nos últimos anos, em vez de redução do déficit. O déficit cresceu para US$ 900 bilhões em 2019 e a dívida nacional avançou para US$ 22 trilhões.

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