Alan García é 1º político investigado em escândalo da Lava Jato a se suicidar

Ao menos três pessoas ligadas ao caso morreram na Colômbia e duas no Brasil

São Paulo

O ex-presidente peruano Alan García, que morreu nesta quarta-feira (17) após dar um tiro na cabeça, é o primeiro político investigado no escândalo da Lava Jato na América do Sul a se suicidar. 

García, 69, deu o tiro após receber ordem de prisão preliminar em sua casa, em Lima. Chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu.

Ele era investigado por ter recebido verbas ilegais da empreiteira brasileira durante a campanha eleitoral de 2006 e por ter favorecido a Odebrecht na licitação das obras da linha 1 do metrô de Lima. 

O ex-presidente peruano Alan García, morto nesta quarta-feira (17)
O ex-presidente peruano Alan García, morto nesta quarta-feira (17) - Eitan Abramovich - 3.mai.06/AFP

O ex-presidente peruano se junta, assim, a uma lista de pessoas ligadas ao escândalo que morreram, entre elas um caso confirmado de suicídio na Colômbia, o de Rafael Merchán, ex-secretário de Transparência durante o governo de Juan Manuel Santos. 

O corpo do Merchán foi encontrado em sua casa em 28 de dezembro, e a investigação da polícia mostrou que ele morreu após ingerir cianureto. 

A família do ex-secretário confirmou posteriormente o suicídio e afirmou que a motivação não teria ligação com o escândalo de corrupção. 

Merchán foi o responsável por comandar o principal órgão anticorrupção do governo colombiano entre 2008 e 2010. Por isso, foi chamado para ser testemunha de defesa pelo empresário  Luis Fernando Andrade —este sim investigado por envolvimento no esquema. 

Segunda a imprensa colombiana, a ideia era que Merchán afirmasse aos investigadores que, enquanto esteve no cargo, nunca encontrou indícios de irregularidades envolvendo Andrade. Mas ele acabou morrendo antes de testemunhar. 

O caso chamou a atenção porque pouco mais de um mês antes, uma das principais testemunhas das investigações sobre o esquema de corrupção na Colômbia também tinha sido encontrada morta com sinais de cianureto. 

Jorge Henrique Pizano era o auditor da obra da estrada Rota do Sol, que teria sido usada para desviar dinheiro no esquema da Odebrecht. No início de novembro, ele morreu após sofrer um infarto fulminante em sua chácara em Bogotá. Uma semana depois, seu filho Alejandro também morreu após passar mal. 

As investigações mostraram que os dois morreram após ingerir cianureto, mas não está clara ainda as circunstâncias em que isso ocorreu e se as mortes foram acidentais ou propositais. 

Um outro caso de suspeita de suicídio aconteceu no Brasil. Apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como suspeito de atuar como doleiro da Odebrecht em pagamentos de propinas, Antônio Claudio Albernaz Cordeiro foi encontrado morto dentro de sua casa na capital gaúcha no dia 24 de março. 

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul trata o caso como suicídio, mas ainda não há confirmação oficial do que aconteceu. Ele chegou a ser preso duas vezes durante as investigações da Lava Jato, em 2016 e em 2018. 

Além dele, José Roberto Soares Vieira, testemunha da Lava Jato no Brasil, foi morto com nove tiros na Bahia em janeiro de 2018. Ele era dono de uma empresa de transportes.​

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