Descrição de chapéu The Washington Post

'Estrela' democrata sai do Facebook e o chama de 'risco de saúde pública'

Deputada americana Alexandra Ocasio-Cortez diz ainda que vai reduzir uso de todas as redes sociais

Hamza Shaban

A deputada federal americana Alexandra Ocasio-Cortez, cujo domínio da mídia social a ajudou a direcionar o diálogo nacional e a iluminar como funciona o mecanismo de poder do Congresso, acaba de sair da mais popular das redes sociais do planeta.

Em entrevista no domingo (14) ao podcast "Skulldudgery", do Yahoo News, a deputada democrata por Nova York disse ter suspendido sua conta pessoal no Facebook e anunciou que reduziria seu uso de todas as formas de mídia social, que ela descreveu como "um risco de saúde pública" porque elas podem levar a "isolamento, depressão, ansiedade, vício e escapismo cada vez mais graves".

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A deputada democrata norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez, durante palestra - Don Emmert/AFP

Ocasio-Cortez, 29, que irrompeu no cenário político dos EUA depois de derrotar nas primárias de seu partido o então deputado por seu distrito, disse que sua saída do Facebook era "algo sério", porque a plataforma foi crucial para sua campanha.

Ela ainda mantém contas no site, disse, e de acordo com a biblioteca de anúncios da companhia, sua conta de Facebook ainda tem dezenas de anúncios ativos pagos por sua organização de campanha eleitoral.

Entre os anúncios estão apelos por apoio à sua proposta mais importante, o "Green New Deal", e por doação de verbas para campanhas em apoio a projetos de lei progressistas e para contrabalançar as ações de um comitê de ação política que trabalha em oposição a ela.

Ela se une a diversos outros usuários proeminentes que abandonaram a rede social, entre os quais Brian Acton, cofundador do WhatsApp, que vendeu sua empresa ao Facebook em 2014, e Steve Wozniak, cofundador da Apple.

Os dois empreendedores se distanciaram da rede social em meio a um boicote de usuários e diante do inquérito do Congresso sobre a controvérsia da Cambridge Analytica, que gira em torno do uso pela consultoria política de dados pessoais obtidos de maneira imprópria sobre milhões de usuários do Facebook.

O afastamento de Ocasio-Cortez também acompanha tendências mais amplas quanto ao uso de mídia social pelos jovens. De acordo com um estudo conduzido em 2018 pelo Pew Research Center, a popularidade do Facebook entre os adolescentes despencou nos últimos anos. Cerca de metade dos adolescentes americanos dizem usar o Facebook hoje, ante 71% em 2015.

YouTube, Instagram e Snapchat ultrapassaram o Facebook como mídias sociais mais populares nessa categoria de usuários, de acordo com o estudo.

Depois de uma sucessão de escândalos envolvendo uso indevido de dados pessoais, difusão de conteúdo hostil e desinformação, muitos usuários do Facebook também mudaram sua forma de usar a plataforma.

Uma pesquisa separada do Pew Research Center constatou que 74% dos usuários adultos do Facebook nos Estados Unidos fizeram pelo menos uma das seguintes coisas: alteraram suas configurações de privacidade; deixaram de usar a plataforma por algum tempo; abandonaram a rede social.

Durante a entrevista, Ocasio-Cortez apontou para consequências de saúde negativas como uma das razões para reduzir seu uso de plataformas sociais.

"Eu acredito de verdade que a mídia social represente um risco de saúde pública para todos", ela disse. "Há impactos amplificados sobre os mais jovens, especialmente as crianças com menos de três anos, em consequência do tempo que passam diante das telas. Mas acho que os efeitos sobre pessoas mais velhas também são fortes. Acho que todo mundo sofre os efeitos. Isolamento, depressão, ansiedade, vício e escapismo cada vez mais graves".

Ocasio-Cortez, que escreve diretamente todos os seus tuítes e mensagens no Instagram, disse que está tentando limitar seu consumo de mídia social aos dias úteis. "Vou aparecer no Twitter de vez em quando nos finais de semana, mas em geral, no que tange ao consumo de conteúdo, falando de consumo e leitura, pretendo folgar nos finais de semana".

The Washington Post

Tradução de Paulo Migliacci

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