Descrição de chapéu Venezuela

Após série de apagões, Maduro demite ministro da Energia

Novo ocupante da pasta será engenheiro elétrico; ditador cria ainda 'estado-maior elétrico'

Caracas | Reuters e AFP

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, demitiu nesta segunda-feira (1º) o ministro da Energia, Luis Motta, após uma série de apagões em março no país.

Motta será substituído pelo engenheiro eletricista Igor Gaviria, que também dirigirá a estatal Corporación Eléctrica Nacional (Corpoelec). 

"Decidi designar um trabalhador da indústria elétrica com 25 anos de experiência, engenheiro elétrico, que já teve diversas responsabilidades", afirmou Maduro em transmissão pela TV. Motta estava no cargo desde 2015.

Moradores da favela de Petare, em Caracas, fazem fila para coletar água, que começou a falta por causa de apagões - Federico Parra/AFP

Maduro assinou ainda um decreto que cria o "estado-maior elétrico", liderado pela vice Delcy Rodríguez e pelo ministro do Interior e da Justiça, Néstor Reverol, que deverão buscar soluções para a crise e reforçar a segurança nas instalações do setor.

​No domingo (31), dia em que novos protestos contra os apagões foram realizados em Caracas, Maduro anunciou um plano de racionamento de energia na Venezuela que durará ao menos um mês. As manifestações foram reprimidas por milícias ligadas a Maduro, os chamados coletivos.

O governo Maduro sustenta que os apagões são causados por "ataques terroristas" realizados a mando de países estrangeiros. 

“Aprovei um plano de 30 dias de um regime de administração de carga, de equilíbrio no processo de geração, de transmissão e de consumo [de energia] em todo o país, colocando ênfase em garantir o serviço de água”, disse Maduro.

O governo também anunciou a suspensão de aulas e atividades escolares e determinou que o expediente de trabalho deverá ser encerrado às 14h no setor público e nas empresas. O comunicado não informou até quando essa medida será mantida. 

Acompanhado por ministros e pelo alto comando militar, Maduro transmitiu a mensagem em cadeia de rádio e TV, embora tenha reconhecido que muitos venezuelanos não poderiam vê-lo porque seguiam sem eletricidade na noite do domingo.

O apagão provocou um colapso no abastecimento de água, que já era deficitário. 

"Temos crianças pequenas e não temos como dar uma gota de água para beber", afirmou Maria Rodríguez em Caracas.

A cena é parecida em vários bairros da capital. Famílias inteiras formam filas e carregam baldes para retirar água de nascentes, canos quebrados, valas, de carros-pipa fornecidos pelo governo ou do pouco que flui pelo rio Guiare.

A emergência, que de maneira intermitente afeta 21 dos 23 estados, além de Caracas, parece estar longe de uma solução devido à falta de investimentos em infraestruturas e uma corrupção endêmica, alertam especialistas. 

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