Ataques durante celebração da Páscoa deixam 290 mortos e 450 feridos no Sri Lanka

Explosões acontecem em igrejas e hotéis; governo decreta bloqueio a redes sociais

Colombo

Enquanto cristãos se reuniam para celebrar a missa de Páscoa no Sri Lanka neste domingo (21), uma série de explosões em três igrejas deixou mais de 200 mortos e centenas de feridos. 

Além dos templos, hotéis de luxo também foram alvos do ataque, o mais violento no país desde o fim da guerra civil há dez anos.   

Ao menos 290 morreram e 450 pessoas ficaram feridas, disse o porta-voz da polícia, Ruwan Gunasekera. As autoridades afirmaram que os ataques foram feitos de maneira coordenada, mas ainda não se sabe a autoria da ação.    

A suspeita é que as explosões, registradas em oito pontos em três cidades, tenham sido causadas por homens-bomba. 

Ao menos treze pessoas foram detidas por suspeita de conexão com o ataque. Três policiais foram mortos quando invadiram uma pousada com suspeitos em Colombo, a maior cidade do país. 

A polícia também afirmou que neste domingo à noite houve um ataque feito com coquetel molotov contra uma mesquita e duas lojas de muçulmanos em Colombo. As ações fizeram aumentar o temor de que os atentados levem o país a uma onda de violência étnica.  

O governo do Sri Lanka decretou um toque de recolher e também bloqueou acesso a redes sociais e a aplicativos de mensagens, como Facebook e WhatsApp, com a intenção de evitar o surgimento de boatos. 

 

O ministro da Defesa do Sri Lanka, Ruwan Wijewardene, afirmou que os culpados são extremistas religiosos, mas não deu mais detalhes. O país tem um longo histórico de tensão entre a maioria budista e as minorias hindu, muçulmana e cristã.

Segundo o último censo, de 2012, 75% da população do país são budistas, 12,6 % são hindus, 9,7% são muçulmanos e 7,6% são cristãos (sendo a maioria católica). 

Segundo o The New York Times, pelo menos 35 dos mortos eram estrangeiros, incluindo cinco britânicos (dois com dupla nacionalidade americana), três indianos, três dinamarqueses, dois turcos e um português. Além disso, há a suspeita de que existam entre as vítimas chineses, holandeses e americanos. 

O papa Francisco condenou os atentados. "Gostaria de expressar minha proximidade afetuosa à comunidade cristã, atacada enquanto se reunia para orar, e a todas as vítimas dessa violência cruel", disse o pontífice, que visitou o Sri Lanka em 2015.

Segundo um porta-voz da polícia local, as oito explosões começaram por volta das 8h45 (0h45, no horário de Brasília) durante a missa da celebração católica. Segundo as autoridades, os ataques foram coordenados para acontecerem de maneira simultânea. 

Em Colombo, foram atacados três hotéis (Shangri-La Colombo, Kingsbury Hotel e Cinnamon Grand Colombo) e a igreja de Santo Antônio. Foram registradas explosões ainda em um apartamento e em uma pousada na cidade —os dois locais teriam sido usados como esconderijo pelos autores do atentado. 

Hospede do Shangri-La, Sarita Marlou disse ao jornal The New York Times que estava dormindo em seu quarto no 17º andar e que foi acordada pela barulho da explosão, que ocorreu em um restaurante no 3º andar —cheio de pessoas tomando café da manhã, segundo ela.  

“Poucos minutos depois, nos pediram para sair do hotel. Enquanto corria pelas escadas, vi muito sangue no chão, mas ainda não sabíamos o que realmente tinha acontecido", afirmou.  

Dona de uma loja próxima a igreja de Santo Antônio, N. A. Sumanapala disse que foi ao local para ajudar nos resgates. "Era um rio de sangue [lá dentro]. Cinzas caíam como neve", disse ele também ao New York Times.

A explosão mais violenta aconteceu na igreja de São Sebastião, em Negombo  (30 km ao norte de Colombo), onde ao menos 62 pessoas morreram. A outra explosão aconteceu em Batticaloa (200 km ao leste de Colombo), onde ao menos 27 morreram.  

"Nosso povo está empenhado em retirar as vítimas", disse o porta-voz da polícia. 

“Condeno energicamente os ataques covardes de hoje contra nosso povo“, disse o primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe. 

"Eu peço a todos os cidadãos para permanecerem unidos e fortes neste momento trágico. O governo está tomando medidas imediatas para conter a situação", completou.

O presidente americano, Donald Trump, também se manifestou pelas redes sociais: "os Estados Unidos oferecem condolências ao povo do Sri Lanka. Estamos prontos para ajudar".

O Sri Lanka, uma ilha no oceano Índico, enfrentou décadas de uma guerra civil que terminou em 2009 que opôs a maioria cingalesa —que segue predominantemente o budismo— a minoria tâmil (majoritariamente hindu).

Apesar do fim do conflito, com vitória do governo, o país ainda sofre com instabilidade política desde o fim do ano, quando o presidente Maithripala Sirisena tentou destituir Wickremesinghe e todo o seu gabinete e substituí-lo por um aliado, dissolvendo o Parlamento.

Wickremesinghe se negou a deixar o poder, e o país ficou sem liderança política por semanas.

Grupos de cristãos afirmam enfrentar atos de intimidação de extremistas budistas nos últimos anos. Além disso, no ano passado, houve confrontos entre a maioria de budistas cingaleses e a minoria muçulmana.   

 
AFP e Reuters
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