Maduro diz que continua com apoio dos militares e convoca manifestações

Oposição venezuelana realiza operação para tentar derrubar ditadura nesta terça (30)

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, durante formatura de professores na sexta (26) - Zurimar Campos/Presidência da Venezuela/AFP
Sylvia Colombo
Caracas e São Paulo

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que as Forças Armadas do país continuam leais a ele e convocou uma manifestação popular em apoio a seu governo.

"Nervos de aço! Conversei com os comandantes de todas as REDI e ZODI [comandos de defesa] do país, que manifestaram sua total lealdade ao povo, à Constituição e à pátria", publicou Maduro em uma rede social.

"Chamo a máxima mobilização popular para garantir a vitória da paz. Venceremos!", prosseguiu o ditador.

Na madrugada desta terça, os líderes opositores Juan Guaidó e Leopoldo López deram início a uma ação para tentar derrubar o governo Maduro.

López, que estava em prisão domiciliar, foi para a rua ao lado de Guaidó. Ambos se dirigiram para a base aérea La Carlota, em Caracas, onde anunciaram o apoio de militares dissidentes e convocaram a população a se juntar a eles. 

Mais cedo, Maduro havia compartilhado imagens da TV estatal VTV, que mostravam apoiadores em frente ao Palácio de Miraflores, sede do governo. Eles estariam ali para protestar contra o movimento liderado por Guaidó para depor o ditador.

Eram 6h (7h em Brasília) quando Caracas despertou de modo tenso. Após as declarações do líder oposicionista em frente à base aérea, o dia amanheceu com buzinaço e gritos. Também eram ouvidos panelaços.

O trânsito por volta das 8h (9h em Brasília) estava caótico. O Exército fechou diversas avenidas da cidade e há congestionamentos nas ruas. Os buzinaços não param, assim como os gritos de “Operação Liberdade” e o famoso “Maduro, vá à m...”, que já virou bordão da oposição. ​

Maduro também compartilhou uma postagem do ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, que publicou: “Estamos enfrentando e desafiando um reduzido número de efetivos militares traidores que se posicionaram para tentar um golpe de Estado”.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou que há normalidade nos quartéis.

Nas redes sociais, publicou que "as Forças Armadas se mantêm firmes na defesa da Constituição e de suas autoridades legítimas". "Todas as unidades militares das oito regiões de defesa integral reportam normalidade em seus quartéis e bases, sob mando de seus comandantes naturais." 

Em declaração na TV estatal VTV, na qual classificou a ação de Guaidó como um "espectáculo grotesco", o dirigente chavista Diosdado Cabello convocou a manifestação em frente ao palácio de Miraflores. Já o ministro das Indústrias, Tareck El Aissami, disse que o levante pró-Guaidó é “minúsculo, microscópico”.

Os presidentes da Bolívia e de Cuba condenaram a ação da oposição venezuelana e demonstraram apoio a Maduro. Brasil, Estados Unidos, União Europeia e outros deram suporte a Guaidó.

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