Mais de 70 parlamentares britânicos pedem extradição de Assange para Suécia

Deputados querem que ministro do Interior dê prioridade ao caso se houver a solicitação dos suecos

AFP e Reuters

Em carta enviada ao governo britânico, mais de 70 parlamentares pedem que "façam o possível" para permitir a extradição de Julian Assange para Suécia, caso o país faça o pedido.

O fundador do WikiLeaks foi preso na quinta-feira (11) na embaixada do Equador em Londres, no Reino Unido, em processo relacionado a um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos. Ele estava asilado no local desde 2012.

Assange e o WikiLeaks foram responsáveis por um enorme vazamento de documentos confidenciais do governo dos EUA em 2010. 

Procuradores disseram que Assange está sendo processado por conspiração e por tentar violar as senhas e invadir um computador do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que guardava informações confidenciais, num caso que envolveu a ex-analista de inteligência do Exército Chelsea Manning. 

Os parlamentares britânicos querem que o ministro do Interior, Sajid Javid, dê prioridade ao caso se houver a solicitação de extradição por parte da Suécia.

Detido em dezembro de 2010 na Inglaterra, Assange era alvo de uma investigação na Suécia por abuso sexual. Ele foi liberado alguns dias depois mediante pagamento de fiança, mas não conseguiu reverter o processo de extradição. Como último recurso, buscou refúgio na representação diplomática equatoriana.

Em 2017, procuradores da Suécia decidiram arquivar o processo devido à impossibilidade de ouvi-lo. 

Para os parlamentares britânicos, "isso permitiria encerrar a investigação em uma acusação de estupro e, se apropriado, apresentar acusações e realizar um julgamento", acrescentam. 

Os parlamentares, que ao mesmo tempo asseguram que o pedido "não pressupõe a culpa" de Assange, consideram que o fundador do WikiLeaks deveria "ver que a justiça é feita". A carta afirma que a acusação de estupro tem "um limite de tempo que expira em agosto de 2020".

A advogada da mulher que acusa o australiano de tê-la estuprado na Suécia, em 2010, disse na quinta-feira (11) que vai pedir à promotoria do país para reabrir a investigação.

"Vamos fazer de tudo para que os promotores reabram a investigação, e que Assange seja entregue à Suécia e julgado por estupro", disse Elisabeth Massi Fritz. Sua cliente, que tinha 30 anos quando fez a acusação, não teve a identidade revelada.  

A carta dos parlamentares também foi enviada para Diane Abbott, do Partido Trabalhista, sigla contrária ao pedido de extradição deito elos Estados Unidos.

"Nenhuma acusação de estupro apresentada pelas autoridades suecas deveria ser ignorada", escreveu Diane Abbott no Twitter. "Mas o único pedido de extradição vem dos Estados Unidos", destacou.

Programador preso

O governo do Equador afirmou na sexta-feira (12) que mantém detido o programador Ola Bini, ligado a Assange.

A ministra do Interior do país sul-americano, Maria Paula Romo, afirmou que Bini pode ser indiciado por acusações relacionadas à interferência em comunicações privadas.

Bini vive em Quito e, segundo Romo, visitou Assange diversas vezes na embaixada equatoriana em Londres.

Nas últimas semanas, o presidente Lenín Moreno acusou o WikiLeaks e Assange de violação de sua privacidade pela publicação de fotos de sua família. O WikiLeaks nega a acusação e diz que Moreno tentava impedir a revelação de documentos com acusações de corrupção contra ele.

"Ele está detido para fins de investigação. É uma detenção que aconteceu nas últimas horas, ordenada por juízes e requisitada por procuradores", afirmou Romo. "Essa pessoa é muito próxima ao WikiLeaks."

Em seu site, Bini se descreve como um desenvolvedor de softwares que trabalha para o Centro de Autonomia Digital, baseado em Quito. Não há menção ao WikiLeaks. 

A ministra afirmou que o governo tinha informações de que Bini teria viajado várias vezes com Ricardo Patino, ex-ministro das Relações Exteriores do Equador do governo de Rafael Correa, que concedeu a Assange o asilo na embaixada equatoriana em Londres, em 2012.

Em sua conta no Twitter, Patino negou conhecer Bini.

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