Netanyahu é criticado por dizer que vai anexar partes da Cisjordânia caso vença eleições

População da área é majoritariamente palestina; atitude poderia sepultar solução para conflito no Oriente Médio

Jerusalém | AFP

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou no sábado (6) que prevê anexar partes da Cisjordânia caso vença as eleições legislativas da próxima terça-feira (9). A declaração foi criticada por seu principal adversário, o general centrista Benny Gantz, por um porta-voz palestino e também pela Turquia.

Em entrevista à cadeia de televisão israelense 12, Netanyahu foi indagado se tinha um projeto de anexar as colônias israelenses na Cisjordânia, ao que ele respondeu afirmativamente. "Aplicarei a soberania (israelense) sem fazer distinções entre os (maiores) blocos de colônias e os assentamentos isolados", declarou.

Há cerca de 400 mil israelenses vivendo na Cisjordânia, território habitado majoritariamente por palestinos (cerca de 2,5 milhões), que exigem a criação de um Estado próprio. Especialistas consideram que a presença de Israel no território como um dos principais obstáculos para alcançar a paz no Oriente Médio. 

A anexação da Cisjordânia por Israel poderia significar o fim definitivo da chamada solução de dois Estados, isto é, a criação de um Estado palestino que coexistiria com Israel.

O prêmie de Israel, Binyamin Netanyahu, discursa para apoiadores em mercado em Jerusalém
O prêmie de Israel, Binyamin Netanyahu, discursa para apoiadores em mercado em Jerusalém - Menahem Kahana/AFP

Benny Gantz, líder da coligação Azul e Branco e principal rival de Netanyahu, condenou as intenções do premiê. Em entrevista para o site Ynet, questionou por que Netanyahu "não anexou a Cisjordânia durante os 13 anos em que esteve no poder se essa era sua intenção" e chamou as declarações do atual premiê de "irresponsáveis".

Um alto dirigente da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Saëb Erakat, disse que a declaração de Netanyahu não foi "surpreendente".

"Israel continuará a violar cinicamente a lei internacional, desde que a comunidade internacional permita que o Estado judeu ignore suas obrigações com total impunidade, particularmente com o apoio do governo Trump dos Estados Unidos", declarou em uma rede social.

A Turquia também criticou neste domingo as "declarações irresponsáveis" do primeiro-ministro de Israel.

"A Cisjordânia é território palestino ocupado por Israel em violação do direito internacional. As afirmações irresponsáveis do primeiro-ministro Netanyahu visam garantir alguns votos antes de uma eleição geral", declarou o chanceler turco, Mevlut Cavusoglu. 

"As democracias ocidentais vão reagir ou permanecer quietas? Vergonha!", declarou, por sua vez, Ibrahim Kalin, porta-voz do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em uma rede social.

Antes, o porta-voz da sigla de Erdogan, o Partido Justiça e Desenvolvimento, Omer Celik, fez um apelo para "acabar com a loucura de Netanyahu".

O principal adversário de Netanyahu, o general aposentado Benny Gantz, anda de motocicleta em campanha pré-eleitoral na cidade de Tel Aviv - AFP

Eleições acirradas

O primeiro-ministro já havia dito na sexta-feira (5) que comunicou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que Israel rejeitaria, dentro da estrutura de um futuro plano de paz com os palestinos, "retirar uma pessoa sequer das colônias". 

Mais de 400 mil israelenses vivem em colônias na Cisjordânia ocupada. Outros 200 mil residem em Jerusalém Oriental, região reivindicada pelos palestinos.

"A manutenção do controle (israelense) em todo o território a oeste do rio Jordão" é outra condição israelense antes de qualquer plano de paz iniciado pelos Estados Unidos", segundo Netanyahu.

Benjamin Netanyahu se vangloria de ter um bom relacionamento com Trump, ao contrário do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que rompeu relações com Washington após os EUA terem reconhecido Jerusalém como capital de Israel, no final de 2017.

O novato Benny Gantz, 59, ganhou popularidade ao adotar posicionamento centrista e conciliador. Ele pode tirar Netanyahu do poder, no qual está há dez anos. O partido do premiê perdeu pontos em pesquisas de intenção de votos após o procurador-geral da Justiça de Israel, Avichai Mandelblit, ter anunciado no início de março que indiciaria Netanyahu em casos de suborno, fraude e quebra de confiança.

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