Parentes enterram vítimas de ataque no Sri Lanka em funeral coletivo

Mais de mil pessoas participam de cerimônia em Negombo, onde cem foram mortos

Negombo (Sri Lanka) | Reuters

O Sri Lanka chorou e rezou nesta terça-feira (23) ao enterrar os mortos dos atentados suicidas contra igrejas e hotéis no domingo de Páscoa (21).

Mais de mil pessoas participaram de um funeral coletivo na igreja de São Sebastião, na cidade costeira de Negombo, onde mais de cem fiéis foram mortos durante a missa no domingo de manhã.

O pior episódio de violência no país em uma década tirou a vida de 321 pessoas em oito localidades diferentes. A maioria era nativa do Sri Lanka, mas havia também 39 estrangeiros.

A cerimônia começou com orações e cantos sob uma tenda colocada no pátio da igreja, que teve a maior parte de seu telhado arrancada pela explosão. Pessoas carregavam os caixões de madeira enquanto eram seguidos por parentes e amigos dos mortos. 

O cardeal Malcolm Ranjith, arcebispo do Sri Lanka que liderou a cerimônia, pediu que outras igrejas adiem memoriais devido a temores de que mais homens-bomba possam estar à solta.

"As forças de segurança não esclareceram a situação ainda. Pode haver mais ataques a reuniões públicas", disse o cardeal a repórteres após o culto.

Após a missa em São Sebastião, 22 caixões foram levados para uma cova perto da igreja. Espectadores assistiram à procissão junto com policiais e soldados. Os caixões foram baixados em sepulturas individuais.

Entre as vítimas estava Vivian Irangani, 67, que havia sido deixada na igreja no domingo por seu marido budista.

"Ela era uma mulher de bom coração que não fazia mal a ninguém", disse um membro de sua família. Alguns dos seis netos de Irangani colocaram crisântemos brancos em seu túmulo, seguidos por seu viúvo em prantos.

As bombas destruíram a calma na ilha do oceano Índico, majoritariamente budista, desde o fim de uma guerra civil travada por separatistas hindus e étnicos tâmeis, há 10 anos, e suscitaram temores de um retorno à violência sectária.

Os 22 milhões de habitantes do Sri Lanka incluem minorias muçulmanas, hindus e cristãs. 

O Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelos ataques coordenados contra três igrejas e três hotéis de luxo, mas não apresentou provas. Os atentados foram retaliações por ataques a mesquitas na Nova Zelândia, disse Ruwan Wijewardene, ministro da Defesa do país

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