Participação de minoria árabe no governo de Israel deve diminuir

Nova lei de nacionalidade e racha da Lista Árabe Unida desestimulam árabes a votar

Daniela Kresch
Tel Aviv

A participação da minoria árabe-israelense nas eleições desta terça (9) em Israel deverá ficar abaixo da média nacional: apenas 51% dos árabes cidadãos de Israel (20% da população) disseram que vão votar, segundo pesquisa da Fundação Friedrich Ebert e da ONG Abraham Initiatives.

Em 2015, foram 72%. Ainda segundo a enquete, 31% decidiram que não votarão.

“A sociedade árabe não votar é sinal de um duplo desastre. Vai reduzir a representação de defensores da igualdade interna e fortalecer a presença de racistas no próximo Knesset”, diz Thabet Abu Rass, CEO da Abraham Initiatives.

Há alguns motivos para esse desinteresse. O primeiro e mais tradicional é a identificação de muitos árabes de Israel com os palestinos.

Mas, desta vez, há dois adendos. O primeiro é a decepção com a Lei da Nacionalidade, aprovada em 2018.

Esta lei define Israel como um "Estado-nação do povo judeu" e estipula, entre outras coisas, que o hebraico seja a única língua oficial de Israel, além de afirmar que "os assentamentos judaicos são de interesse nacional".

O outro adendo é a fragmentação da Lista Árabe Unida, partido único árabe formado para as eleições de 2015 e que se tornou a segunda maior força no Parlamento, com 13 dos 120 assentos.

Parlamentares árabe-israelenses que faziam parte do partido Lista Árabe Unida visitam o Domo da Rocha, em 2015; da esquerda para a direita: Osama Saadi, Ahmed Tibi, Ayman Odeh, Masud Ganaim e Haneen Zoabi
Parlamentares árabe-israelenses que faziam parte do partido Lista Árabe Unida visitam o Domo da Rocha, em 2015; da esquerda para a direita: Osama Saadi, Ahmed Tibi, Ayman Odeh, Masud Ganaim e Haneen Zoabi - Ammar Awad - 28.jul.2015 - Reuters

Mas a união não deu certo por disputas internas, e a lista se dividiu em duas legendas. Os dois partidos, juntos, podem até conseguir 12 a 13 cadeiras, mas os árabes não serão mais a segunda maior bancada.

A minoria ultraortodoxa (judeus extremamente religiosos) também não deve aumentar a força parlamentar —devem manter 12 ou 13 cadeiras, como no governo anterior.

O partido nanico Zehut (Identidade), do ex-parlamentar de extrema direita Moshe Feiglin, se destaca nesta eleição.

Feiglin parece ter caído no gosto dos jovens seculares de Tel Aviv ao defender a descriminalização da cannabis —bandeira do partido Folha Verde, que não concorre. Com isso, Feiglin pode se tornar o fiel da balança na costura da próxima coalizão de governo.

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