Terroristas do Sri Lanka tinham boa educação e eram da classe média, diz governo

Um dos homens-bomba estudou no Reino Unido e na Austrália; número de vítimas sobe para 359

Um dos suspeitos de carregar uma mochila com explosivos em rua de Negombo, pouco antes do ataque - Siyatha News/Reuters
Colombo e São Paulo | AFP e Reuters

Os terroristas responsáveis pelos atentados que deixaram mais de 300 mortos no domingo de Páscoa (21) no Sri Lanka vinham de famílias de classe média e tinham acesso a educação, anunciou o governo local nesta quarta-feira (24). Todos morreram na ação, inclusive uma mulher.

“A maioria deles é bem educada e veio de famílias de classe média e classe média alta, então são financeiramente independentes e suas famílias são financeiramente estáveis”, afirmou Ruwan Wijewarden, ministro da Defesa do Sri Lanka.

“Há um fator preocupante nisso. Alguns deles estudaram no exterior, obtiveram diplomas de advogados etc.”

Segundo a agência Reuters, dois suicidas eram irmãos, filhos de uma família rica de comerciantes de especiarias e pilares da comunidade empresarial do país. 

Inshaf Ibrahim, 33, dono de uma fábrica de cobre, se detonou no hotel Shangri-La, enquanto seu irmão, Ilham Ibrahim se detonou ao lado da mulher e dos três filhos quando a polícia chegou à casa onde se escondiam. 

Outro terrorista foi identificado pelo jornal britânico The Guardian como Abdul Lathief Jameel Mohamed, que estudou no Reino Unido e fez pós-graduação na Austrália antes de voltar ao Sri Lanka.

Segundo os novos detalhes , todos nasceram no Sri Lanka, mas em diferentes partes do país. 

O ministro disse que as investigações continuam para saber se os suspeitos receberam algum tipo de treinamento ou ajuda financeira do Estado Islâmico, que na terça (23) assumiu a autoria do atentado.

Ele afirmou apenas que até o momento não há provas que nenhum dos terroristas tenha viajado ao Oriente Médio para auxiliar o EI. 

Os ataques de domingo atingiram três igrejas e quatro hotéis no domingo (21). O total de mortes subiu para 359 nesta quarta (24). A maior parte das novas vítimas eram pessoas que tinham ficado feridas, mas não resistiram. 

O EI divulgou um vídeo na terça que mostra oito homens, sete deles com o rosto coberto, jurando lealdade à bandeira do grupo e ao seu líder, Abu Bakr Al-Baghdadi.

O único que está com a face descoberta é Mohamed Zahran, líder de um pequeno grupo extremista islâmico do Sri Lanka que está sendo investigado como idealizador dos ataques, o NTJ. A principal hipótese é que ele era um dos nove terroristas que se explodiram na ação, mas isso ainda não está confirmado.  

Um funeral coletivo foi realizado na terça, dia em que os mortos foram homenageados em diversas cerimônias. Muitas famílias aproveitaram a ocasião para criticar o governo por não ter tomado as medidas necessárias para impedir o atentado. 

De acordo com o jornal The New York Times, o governo da Índia tinha avisado o Sri Lanka no dia 11 de abril sobre um possível ataque contra igrejas no país, possivelmente realizados por extremistas com ligação com o EI. 

O alerta indiano teria sido repetido na madrugada do domingo, quando autoridades do Sri Lanka foram avisadas que os atentados eram iminentes. Mesmo assim, o governo não tomou nenhuma ação para conter a ameaça e não avisou as igrejas sobre o risco. 

Em discurso ao país na terça, o presidente Maithripala Sirisena negou ter culpa no episódio, disse não ter recebido informações sobre o alerta e prometeu mudanças na cúpula da Defesa. 

Nesta quarta, ele pediu a demissão do secretário responsável pela área, Hemasiri Fernando, e do chefe da polícia Pujith Jayasundara, enquanto o deputado  Wijedasa Rajapakse pediu que os dois fossem presos e processados pelo caso. 

Até o momento, 60 pessoas já foram detidas sob suspeita de terem participado da ação, mas Wijewarden afirmou que a ameaça de novas ações terroristas no país não está descartada. 

"Ainda podem haver algumas pessoas por aí. Neste momento, pedimos a todos que fiquem vigilantes. Nos próximos dias teremos a situação sobre controle", afirmou.

Entre os presos, estão seis refugiados do Paquistão, incluindo duas mulheres e duas crianças. Há suspeita de que um dos homens-bomba visitou o grupo antes de realizar o ataque. 

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