Descrição de chapéu

Apelido como nome de bebê real é passo para a modernidade

Sétimo na linha do trono, filho de Harry e Meghan se chamará Archie Harrison

Sérgio Rodrigues
Rio de Janeiro

Mal se anunciou o surpreendente nome do primeiro filho de Harry e Meghan, as conversas sobre Archie Harrison viraram o passa tempo predileto de uma terra que não aguenta mais falar só de brexit.

Chamou a atenção dos “comentaristas reais” (o que por lá é profissão) um composto de dois nomes que, mais do que simplesmente ausentes do cardápio tradicional da família, são evoluções ocorridas no último meio século.

Meghan e Harry apresentam seu filho, Archie Harrison, no castelo de Windsor, dois dias após o nascimento
Meghan e Harry apresentam seu filho, Archie Harrison, no castelo de Windsor, dois dias após o nascimento -  Dominic Lipinski/AFP

Archie é uma abreviação carinhosa do vetusto Archibald, assimilada como nome de registro. Algo semelhante ao que ocorreu no Brasil, entre muitos outros, com Tom e Malu.

Harrison (que tem um eco óbvio de “Harry’s son”, filho de Harry) é um sobrenome que faz dupla jornada como nome próprio, fenômeno em que o inglês é profícuo com seus Cohens, Sheldons, Marleys e Ashleys. 
Não houve no Brasil um movimento equivalente que chegasse a ser significativo.

Um perfume plebeu —charmoso e sonoro, mas plebeu— ronda o batismo do novo membro da família real britânica, que em compensação carregará o sobrenome Mountbatten-Windsor. Mas os pais abriram mão do título de Earl a que o rebento teria direito por ser o primeiro filho de um duque. 

Sem serem corriqueiros, os dois nomes têm certa popularidade: Archie foi o 18º. mais comum entre os bebês nascidos na Inglaterra e no País de Gales em 2017.

Harrison ficou um pouco atrás, em 34º. lugar, mas tem a vantagem de superar Archie nos EUA, terra de Meghan. 

Mais britânicos que americanos, no fim das contas os dois são nomes internacionais, como se especulava que seriam: o território que demarcam é mais geracional que geográfico.

A escolha foi considerada a cara dos dois jovens que introduziram o casamento inter-racial no seio da realeza britânica em maio do ano passado —sem que a casa de Windsor tenha caído por causa disso. Pelo contrário, parece ter adotado a novidade como uma bênção de marketing. Sinal dos tempos.

Isso quer dizer que a irreverência do nome foi anotada, mas recebida com suficiente fanfarra para desencorajar qualquer bolsão de escândalo. 

O comentarista Richard Fitzwilliams disse à BBC que achou o nome maravilhoso.

O estilo cool que parecia escandaloso em 1981, quando a primeira neta da rainha Elizabeth foi batizada —onde já se vira?— Zara Philips, é o mesmo que agora, segundo Fitzwilliams, vai “rejuvenescer a monarquia”.
 

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