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Eleições parlamentares reforçam poder de Duterte nas Filipinas

Aliados do presidente conquistam maioria do Senado, segundo resultado preliminar, indicando apoio popular ao seu estilo autoritário

DW

Candidatos apoiados pelo presidente Rodrigo Duterte deverão conquistar a maioria dos assentos numa eleição para o Senado nas Filipinas, segundo resultados preliminares divulgados nesta terça-feira (14). Com 94% dos votos contados, os aliados de Duterte ficaram com nove dos 12 cargos de senador em disputa na votação de meio de mandato presidencial, realizada na segunda-feira (13).

Resultados finais serão conhecidos nos próximos dias, e os vencedores tomarão posse dos cargos no fim de junho. "Uma vitória de candidatos pró-governo significa uma bem-sucedida consolidação de poder pelo presidente", afirmou o analista político filipino Ramon Casiple.

Filipinos esperam para votar na escola de ensino fundamental Baseco, em Manila - Noel Celis/AFP

"Normalmente, a popularidade do presidente costuma cair na parte final do mandato de seis anos, e o governo passa a ter dificuldades para implementar promessas de campanha e aprovar leis. Mas esse não é o caso com este presidente", avaliou.

Os resultados preliminares da eleição refletem a popularidade de Duterte, que está em 79%. Um percentual tão elevado é algo sem precedentes para um presidente nas Filipinas depois de quase três anos no cargo.

Depois de chegar ao poder, em 2016, Duterte lançou uma série de iniciativas polêmicas, como a brutal repressão às drogas ilegais, que teria custado milhares de vidas, e decisões a favor da China, apesar das disputas territoriais no Mar da China Meridional.

A guerra contra as drogas foi duramente criticada no exterior, mas é majoritariamente aprovada pelos filipinos. "Eu não aprovo que um monte de gente tenha sido morta, mas é bom saber que as ruas agora são seguras à noite. Até os criminosos têm medo de Duterte", disse Tonying Lopez, que trabalha num escritório.

Outros filipinos, como a dona de casa Annie Cortez, de 58 anos e católica devota, aprenderam a ignorar as vulgaridades e blasfêmias do presidente. "São apenas palavras. O que importa são as ações, como aprovar uma lei para a saúde e educação gratuitas", opinou.

O presidente de Filipinas, Rodrigo Duterte, polêmico por suas políticas de combate às drogas - Xinhua/Rouelle Umali

Para muitos filipinos, a imagem de durão de Duterte e suas tiradas contra a União Europeia (UE) e as Nações Unidas comprovam que ele não faz concessões na política.

O analista político Richard Heydarian diz que a popularidade de Duterte tem menos a ver com ele e mais com o anseio dos filipinos por um líder autoritário. No seu livro "A Ascensão de Duterte", Heydarian escreve que, poucos antes de Duterte chegar ao poder, quase 60% dos filipinos diziam preferir "um líder forte que não tenha que se importar com parlamento e eleições".

Percentuais semelhantes foram registrados em países como a Turquia e a Índia, que também elegeram versões locais de líderes durões.

As eleições de meio de mandato presidencial tiveram cerca de 43 mil candidatos disputando 18 mil vagas, incluindo mais de 200 cargos de prefeito e governador e 245 assentos na câmara baixa do Parlamento, onde já está certo que Duterte vai manter sua ampla maioria. As posições mais cruciais em disputa eram os 12 assentos que serão renovados no Senado, de um total de 24.

Muitos especialistas veem o Senado como a última instância no caminho de Duterte para o domínio completo do cenário político filipino.

A câmara baixa já está cheia de aliados do presidente e, se não houver uma oposição forte na câmara alta para contrabalancear os atos polêmicos do governo, muitos analistas temem que Duterte terá força legislativa suficiente para levar adiante sua agenda econômica e política, que inclui uma mudança constitucional na forma de governo que lhe permitiria permanecer no poder indefinidamente.

"Isso significaria a eliminação da oposição. O Legislativo seria um fantoche a serviço dos objetivos do governo Duterte e da China. As vozes isoladas da oposição poderiam ser efetivamente silenciadas", comentou o analista político filipino José Antonio Custódio.

Para Heydarian, a questão central agora é saber se Duterte conseguirá transformar o resultado da eleição em votos suficientes para passar leis draconianas, como a reinstituição da pena de morte e mudanças constitucionais.

O analista político Alex Magno, por sua vez, não se mostra preocupado com o resultado da eleição. Segundo ele, o Senado sempre se mostrou independente, não importando sua composição. "O que realmente interessa é a eleição presidencial", afirmou.

Filipinos desiludidos com o seu país se voltaram para a internet após a divulgação dos resultados preliminares das eleições. Sites locais de notícias publicaram que as buscas por "migração", especialmente para o Canadá, Austrália e Nova Zelândia, aumentaram em sites de buscas. Tendência semelhante foi verificada no Twitter.

Um dos frustrados é o fotógrafo Sonny Thakur, de 32 anos. Mas ele disse que ir embora não é uma opção. "As Filipinas são a minha casa. Não tenho uma boa razão para emigrar."

Mulher vota nas eleições de meio de mandato em Manila, capital das Filipinas - Ted Aljibe/AFP
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