Ex-prefeita de Lima admite que Odebrecht e OAS pagaram campanha eleitoral

Empreiteiras brasileiras tinham obras na cidade e interesse em mantê-la no cargo, diz delator

Lima | AFP

A ex-prefeita socialista de Lima, no Peru, Susana Villarán admitiu neste domingo (12) que as empresas brasileiras Odebrecht e OAS doaram US$ 4 milhões para a campanha contra a revogação de seu mandato, em 2013.

"Sempre soube de aportes de empresas à campanha do 'Não à revogação'. José Miguel Castro [então gerente municipal de Villarán, cargo similar ao de secretário da Casa Civil municipal] e eu tomamos a decisão de procurar e aceitar os fundos de campanha", disse Villarán à rádio Exitosa.

Susana Villarán, então candidata a prefeitura de Lima, Peru, em evento com estudantes
Susana Villarán, então candidata a prefeitura de Lima, Peru, em evento com estudantes - Divulgação

Os apoiadores da saída de Villarán da prefeitura consideravam, em 2013, que sua gestão era ineficiente, e por isso foi realizado um referendo em março daquele ano para decidir se seu mandato, com fim previsto para 31 de dezembro de 2014, deveria ser revogado. A prefeita saiu vitoriosa. 

"O que tenho certeza é que a OAS e a Odebrecht financiaram a campanha do 'Não à revogação' e não sabíamos então que tinham fundos ilegais de caixa dois ou de operações estruturadas", afirmou a ex-prefeita. 

"Eu sabia dos US$ 4 milhões recebidos. Foi dinheiro pago diretamente entre brasileiros", garantiu.

Após assumir a responsabilidade, Villarán admitiu ter cometido um erro ao aceitar que empresas com projetos na capital peruana financiassem a campanha por sua permanência.

Em uma rede social, a ex-prefeita afirmou que não recebeu propinas das empreiteiras.

O Judiciário vai avaliar, na segunda-feira (13), um pedido do Ministério Público (MP) para substituir a ordem de comparecimento com restrições atualmente impostas à ex-prefeita por uma medida de prisão preventiva de 36 meses de duração.

A ordem de comparecimento com restrições lhe obriga a ir mensalmente ao MP para controle, não deixar Lima e não mudar de endereço sem autorização judicial prévia.

O ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, confirmou em 25 de abril ao MP peruano que a empreiteira tinha dado dinheiro para a campanha contra a revogação do mandato de Villarán.

Barata afirmou aos procuradores que a empresa aportou US$ 3 milhões nessa campanha.

De acordo com ele, os diretores da Odebrecht apoiaram a então prefeita porque temiam que, caso fosse destituída, as obras que a empresa fazia na cidade poderiam ficar em risco.

O depoimento de Barata ocorreu no âmbito de um acordo de colaboração assinado entre a Odebrecht e o MP peruano em dezembro. 

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