Netanyahu pedirá mais tempo para formar governo de coalizão

Maioria dos líderes partidários recomendou atual primeiro-ministro para liderar formação da próxima coalizão

Binyamin Netanyahu durante reunião em Jerusalém neste domingo (12)
Binyamin Netanyahu durante reunião em Jerusalém neste domingo (12) - Gali Tibbon/Reuters
Jerusalém | AFP

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, declarou neste domingo (12) que vai pedir ao presidente Reuven Rivlin mais tempo para formar um novo governo de coalizão, citando feriados e o agravamento da situação na Faixa de Gaza como motivos para a extensão.

O Likud (direita) de Netanyahu conquistou 35 dos 120 assentos nas eleições gerais de 9 de abril. A maioria dos líderes partidários recomendou o atual premiê para liderar a formação da próxima coalizão.

Em 17 de abril, Rivlin concedeu oficialmente a Netanyahu essa missão, que, de acordo com a lei, deve ocorrer dentro de 28 dias. Mas um prazo adicional de duas semanas deve ser automaticamente concedido se solicitado.

"Como no passado (...), pretendo buscar uma extensão do presidente", disse Biniamin Netanyahu, antes do conselho de ministros.

"Tal extensão é necessária devido a um problema de tempo resultante de muitos eventos: Páscoa, os Dias de Recordação do Holocausto e de memória dos soldados, o Dia da Independência e os eventos de segurança ao redor na Faixa de Gaza", explicou.

Em 4 de maio, o Hamas e a Jihad Islâmica, que controlam Gaza, dispararam centenas de foguetes contra Israel. O exército respondeu bombardeando dezenas de alvos em Gaza. Quatro civis israelenses e 25 palestinos, combatentes e civis, morreram.

Netanyahu já realizou reuniões com os líderes dos partidos que devem se juntar a sua coalizão.

Mas as negociações para a distribuição dos ministérios devem durar até o final do período autorizado.

A próxima coalizão deverá ser apoiada pelos dois partidos judeus ultra-ortodoxos, a União da Direita (nacionalista-religioso) e o partido nacionalista laico Israel Beitei, de Avigdor Lieberman, e pelo partido de centro-direita Kulanu, totalizando 65 deputados, além dos 35 do Likud.

Ao mesmo tempo, o ministério da Justiça disse que os advogados de Binyamin Netanyahu estavam negociando a data da audiência do primeiro-ministro. O procurador-geral de Israel marcou para 10 de julho o prazo final para ouvir Netanyahu antes de decidir se o acusará em três casos em que teria praticado corrupção.

Netanyahu é alvo de três investigações. Segundo as suspeitas, a empresa de telecomunicações Bezeq, a maior do país, recebeu benefícios em troca de fazer uma cobertura positiva do primeiro-ministro no site de notícias de sua subsidiária, Walla. ​

Nos outros dois casos, o premiê é acusado de aceitar presentes de bilionários no valor de US$ 264 mil (cerca de R$ 988 mil), como charutos e bebidas, e de oferecer benefícios a um jornal em troca de uma cobertura positiva. 

Ele pode ser condenado a até dez anos de prisão por receber propina e outros três anos por fraude. É a primeira vez que um premiê israelense é alvo de um processo por suspeitas de corrupção enquanto ocupa o cargo.

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