Após 11 horas de apagão, energia volta à maior parte da Argentina e do Uruguai

Presidente Mauricio Macri promete investigar blecaute 'sem precedentes'; Paraguai também foi afetado

Sylvia Colombo
Buenos Aires | AFP e Reuters

Um apagão “sem precedentes” deixou dezenas de milhões de pessoas às escuras na Argentina e no Uruguai neste domingo (16). O presidente argentino, Mauricio Macri, prometeu investigar o colapso, que também afetou partes do Paraguai.

O Sistema Argentino de Interconexão entrou em colapso às 7h07, afirmou a Secretaria de Energia. A refinaria La Plata, da YPF —a maior da Argentina— parou de funcionar. 

Às 18h —11 horas após o início do apagão—, o fornecimento havia sido restaurado na maior parte dos países afetados, segundo os respectivos governos.

“Trata-se de um caso inédito, que será investigado a fundo”, afirmou Macri. ​

O corte ocorreu devido a uma “falha maciça” no sistema de transmissão entre Yacyretá, represa binacional na fronteira com o Paraguai, e Salto Grande. Essa falha provocou a desativação automática das usinas hidrelétricas, segundo a distribuidora Edesur.

“Falhas ocorrem com assiduidade. O que é extraordinário e não deveria ocorrer é a cadeia de acontecimentos posteriores que causaram a desconexão total”, afirmou o secretário de Energia, Gustavo Lopetegui, ao jornal Clarín. “É algo muito grave.” 

Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o Brasil não foi afetado.

Buenos Aires chegou a ficar completamente sem luz, mas a energia começou a voltar no final da manhã. O aeroporto internacional de Ezeiza operava com normalidade por volta das 11h, com geradores.

Houve confusão na cidade —era Dia dos Pais e chovia muito em Buenos Aires. O fornecimento de água e os serviços de internet, telefonia e transporte público foram afetados. 

“A cidade está um desastre. Não há semáforos [funcionando]. Acabou com o Dia dos Pais”, disse a aposentada Liliana Comis, 75. 

O apagão ocorre em meio a uma crise econômica que deixou quase 3 milhões na pobreza, elevou as taxas de juros, desvalorizou o peso —e espirrou para o debate eleitoral

“Milhões de argentinos, que têm de pagar taxas astronômicas de eletricidade, ainda estão esperando que a energia volte a suas casas”, afirmou o peronista Alberto Fernández, que concorre à Presidência tendo como vice a ex-presidente Cristina Kirchner

Algumas províncias tiveram de adiar temporariamente o início da votação em eleições locais.

A Administração Nacional de Usinas e Transmissões Elétricas do Uruguai afirmou que todo o território ficou sem luz, mas que 75% do serviço havia sido restituído às 13h, acrescentando que apagão de tal proporção não havia ocorrido nos anos recentes. 

Segundo a Edesur, a hipótese mais provável é que o apagão tenha ocorrido por um “desequilíbrio entre a energia entregue e a alta demanda”.

No inverno, os argentinos utilizam muita energia para calefação, e o governo realiza campanhas incentivando o uso moderado dos sistemas, para evitar apagões. 

Mas, segundo Lopetegui, a falha ocorreu em um momento de baixa demanda, “uma vez que é domingo e não faz muito calor nem muito frio”. “O sistema elétrico argentino é muito robusto, com capacidade de excesso tanto na geração quanto na transmissão”, acrescentou.

A Argentina, com 44 milhões de habitantes, e o Uruguai, com 3,4 milhões, compartilham um sistema interconectado de energia elétrica, centralizado na usina binacional de Salto Grande, a cerca de 450 km de Buenos Aires.

Com informações da AFP

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