Argélia cancela eleição presidencial e sugere prorrogação do mandato de interino

Conselho Constitucional do país rejeitou duas únicas candidaturas apresentadas para pleito previsto para 4 de julho

Argel (Argélia) | AFP e Reuters

O Conselho Constitucional da Argélia anunciou neste domingo (2) o cancelamento das eleições presidenciais previstas para 4 de julho ao rejeitar as duas únicas candidaturas apresentadas. 

O órgão, que não explicou as razões para tal decisão, afirmou defender a prorrogação do mandato do presidente interino, Abdelkader Bensalah, que termina em 9 de julho.

A votação permitiria a eleição do sucessor de Abdelaziz Bouteflika, que renunciou à Presidência em 2 de abril, após 20 anos no poder, sob forte pressão de manifestantes e das Forças Armadas.

Os opositores acusavam a gestão de Bouteflika de corrupção crônica e de falta de reformas para combater o alto índice de desemprego, que excede 25% entre pessoas com menos de 30 anos. Os manifestantes também são contrários à tradição de intervenção militar em assuntos civis no país.

Manifestantes marcham com bandeira da Argélia durante protesto na capital
Manifestantes marcham com bandeira da Argélia durante protesto na capital - Ryad Kramdi - 31.mai.19/AFP

Segundo uma fonte afirmou à agência de notícias Reuters, os candidatos que se apresentaram para o pleito, ambos desconhecidos, não conseguiram reunir 60 mil assinaturas para validar as candidaturas.

O Conselho não estabeleceu uma nova data para a realização do pleito e afirmou que cabe ao atual presidente “convocar novamente a comissão eleitoral e finalizar o processo até a escolha do novo presidente da República e o juramento de seu mandato”.

Assim, a instituição sugere a prorrogação do mandato interino de Bensalah, presidente do Senado, nomeado em abril. 

De acordo com a Constituição, Bensalah assumiu o cargo de chefe de Estado para ficar, no máximo, durante 90 dias —até transmitir o poder ao novo presidente eleito neste intervalo. Assim, Bensalah, que tem como principal missão organizar as eleições presidenciais, permanecerá no posto além do prazo previsto pela Constituição. 

Desde 22 de fevereiro, os argelinos protestam nas ruas, principalmente na capital, Argel, para pedir mudanças no sistema político no país. 

Com o cancelamento das eleições, as manifestações continuam a ocorrer, pedindo a renúncia de Bensalah e o fim do domínio da elite, representada pelo partido de Bouteflika, a Frente de Libertação Nacional, que controla o país desde que se tornou independente da França, em 1962.

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