Descrição de chapéu Venezuela

Em visita à Venezuela, Bachelet pede que país liberte todos os presos políticos

Alta Comissária da ONU se encontrou com o opositor Juan Guaidó e com o ditador Nicolás Maduro

Caracas | AFP e Reuters

Em seu último dia de visita à Venezuela, a chefe do Alto Comissariado da ONU para direitos humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta sexta-feira (21) que as autoridades do país liberem todos os presos políticos.  

A chilena se encontrou ao longo do dia tanto com o líder opositor Juan Guaidó quanto com o ditador Nicolás Maduro. 

"Faço um apelo às autoridades para que libertem estes detidos ou privados de liberdade por exercer seus direitos civis de forma pacífica", disse Bachelet no aeroporto pouco antes de deixar o país. 

Bachelet revelou ter designado dois delegados para acompanhar o respeito aos direitos humanos na Venezuela, e considerou que é grave a situação do país.

O líder opositor Juan Guaidó e a chefe do Alto Comissariado da ONU para direitos humanos, Michelle Bachelet, em Caracas
O líder opositor Juan Guaidó e a chefe do Alto Comissariado da ONU para direitos humanos, Michelle Bachelet, em Caracas - Cristian Hernandez/AFP

"Teremos uma presença do meu gabinete no país pela primeira vez. Chegamos a um acordo com o governo para que uma pequena equipe, de dois oficiais de direitos humanos, permaneça aqui para prover assistência e assessoria técnica, e também muito importante, continuar monitorando toda a situação dos direitos humanos na Venezuela".

Mais cedo, Guaidó já tinha afirmado que tinha discutido o assunto com Bachelet. 

 "Ela nos disse que está insistindo na libertação dos presos políticos", afirmou Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente interino autoproclamado da Venezuela.

Bachelet realizou uma reunião na quinta-feira (20) com alguns parentes de detidos. Muitos dos presos são acusados de conspirar para a derrubada do regime de Maduro. Ela teria ficado "muito emocionada" com o encontro, segundo Guaidó.

Ela também recebeu parentes de pessoas mortas durante os protestos contra o governo —ONGs de direitos humanos estimam em 200 as vidas perdidas desde 2014.

A ONG Foro Penal estima em 687 o número de pessoas detidas por motivos políticos, embora o ditador Nicolás Maduro negue que estas sejam as razões.

Guaidó afirmou também ter conversado com Bachelet sobre a "perseguição" sofrida pelo Legislativo. Vários deputados estão presos, exilados, refugiados em embaixadas ou escondidos.

Um dos casos mais recentes foi o vice-presidente da câmara, Edgar Zambrano, preso sob a acusação de apoiar uma insurreição militar fracassada contra Maduro, liderada por Guaidó em 30 de abril. Outros 14 legisladores enfrentam a mesma acusação em liberdade.

A visita de Bachelet "fala da importância da situação, da crise, do reconhecimento, de uma emergência humanitária complexa que está à beira de se tornar uma catástrofe", disse Guaidó.

A alto comissária da ONU para direitos humanos, Michelle Bachelet, cumprimenta o ditador Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores em Caracas
A alto comissária da ONU para direitos humanos, Michelle Bachelet, cumprimenta o ditador Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores em Caracas - Yuri Cortez/AFP

​Horas depois de se reunir com o líder opositor, ela também se encontrou com Maduro no Palácio de Miraflores, sede do regime.

 
Após o encontro, o ditador afirmou que irá seguir as recomendações dadas por ela, mas sem especificar quais seriam.   

A chilena também se encontrou separadamente com Diosdado Cabello, o número dois do regime. Bachelet fez uma visita de três dias ao país.   

Na quinta, Bachelet se encontrou com altos funcionários do regime chavista: o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, peça-chave na sustentação da ditadura de Nicolás Maduro; e o procurador-geral, Tarek William Saab, fiel ao ditador.

Na capital venezuelana, centenas de pessoas se concentraram em diversos pontos para advertir Bachelet sobre o colapso na área de saúde e sobre a existência de presos políticos, entre outras denúncias.

Sob o regime de Maduro, a escassez de produtos básicos se agravou, e o FMI projeta uma inflação acima de 10.000.000% em 2019.

Segundo a ONU, um quarto da população venezuelana, o equivalente a 7 milhões de pessoas, requer ajuda humanitária urgente. Outros 4 milhões, aproximadamente, deixaram o país desde 2015.

Bachelet disse que a recusa do regime em reconhecer os problemas dificulta a tomada de medidas para aliviar a situação dos venezuelanos. Na quarta (19), Maduro disse estar aberto a escutar "recomendações" da diplomata. O chanceler, Jorge Arreaza, após recebê-la, afirmou que o regime está disposto a "corrigir" o que for apontado pela ONU.

A ex-presidente chilena é crítica das sanções impostas pelos EUA para asfixiar Maduro e em apoio a Guaidó. Ela teme que a proibição de vender petróleo venezuelano no mercado americano agrave a situação de penúria da Venezuela. 

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