Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Venezuela

Bolsonaro desistiu de mencionar Venezuela em discurso para 'não polemizar' com Putin

Presidente diz que não quis ser agressivo em encontro dos Brics, do qual Rússia participa

Talita Fernandes
Osaka

O presidente Jair Bolsonaro admitiu ter mudado seu discurso durante encontro dos Brics para não "polemizar" com o presidente da Rússia, Vladmir Putin, a quem se referiu como uma "potência nuclear".

Bolsonaro desistiu de fazer um apelo para que integrantes do bloco  —formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul— apoiassem a transição de governo na Venezuela, hoje comandada pelo ditador Nicolás Maduro. 

"Não quis polemizar com Putin, uma potência nuclear", afirmou neste sábado (29), durante o G20.

Em versão prévia de seu discurso, Bolsonaro pretendia mencionar a situação venezuelana. O Brasil reconheceu a legitimidade do líder oposicionista Juan Guaidó para comandar o país vizinho. 

Segundo ele, a presença do russo o fez mudar de ideia.

"Eu estava na presença do presidente da Rússia e eu vi que não era o momento de ser um pouco mais agressivo."

Entre os países do bloco, Rússia e China são simpáticos a Maduro

Na véspera, o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros, chegou a dizer a jornalistas que o presidente tinha tratado de Venezuela no encontro. Embora a reunião tenha sido fechada, a menção ao país vizinho não consta no texto distribuído pela assessoria aos repórteres e nem em vídeo publicado posteriormente pela organização do G20. 

"Ao final da declaração, ele citou a Venezuela, sim, no intuito de que aqueles que estavam sentados à mesa com os Brics encontrassem posições que pudessem favorecer o retorno da democracia naquele país", disse Rêgo Barros.

O presidente brasileiro presidiu na sexta encontro dos líderes dos Brics à margem do encontro do G20, em Osaka. Em sua fala, adotou discurso favorável ao livre-comércio e ao multilateralismo.

O Brasil ocupa a presidência do bloco e sediará a cúpula do grupo em novembro, em Brasília. 

Durante a entrevista, Bolsonaro foi questionado sobre a possibilidade de o Brasil aplicar sanções econômicas à Venezuela. Ele respondeu ser favorável a esse tipo de medida, mas ponderou que faria consultas aos ministérios de Relações Exteriores e Defesa.

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