Descrição de chapéu Brexit

Defensor do brexit, Boris Johnson tem ampla maioria na 1ª etapa de sucessão de May

Ex-prefeito de Londres obtém 114 dos 313 votos dos conservadores; três dos dez candidatos são eliminados

Londres | Reuters

Candidato favorito a substituir a primeira-ministra britânica, Theresa May, Boris Johnson ficou mais próximo de ocupar o cargo de líder do Partido Conservador nesta quinta (13).

Fervoroso defensor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Johnson obteve 114 votos de parlamentares conservadores na primeira etapa do processo que escolherá um novo líder. No total, 313 deputados votaram.

"Estou muito feliz por ganhar a primeira votação, mas ainda temos um longo caminho a percorrer", disse Johnson em uma rede social.

Boris Johnson, candidato à liderança dos conservadores no Reino Unido, durante lançamento de campanha em Londres
Boris Johnson, candidato à liderança dos conservadores no Reino Unido, durante lançamento de campanha, em Londres - Henry Nicholls - 12.jun.19/Reuters

Em segundo lugar veio o Ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, com 43 votos, e, em terceiro, o Ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, com 37.

Três candidatos —Andrea Leadsom, Esther McVey e Mark Harper— foram eliminados por não terem obtido o mínimo exigido de 17 votos.

Dez concorrentes disputavam o posto de Theresa May. No dia 7 de junho, a primeira-ministra confirmou sua renúncia da liderança do partido, o primeiro passo para deixar o comando do governo, marcado pelas indefinições sobre o brexit.

As próximas etapas do processo ocorrem entre os dias 18 e 20 de junho, quando outros cinco concorrentes serão eliminados, até que restem apenas dois. Uma votação por correio entre todos os membros do Partido Conservador (160 mil) decidirá o vencedor. O resultado final está previsto para o final de julho. 

Johnson, 54, iniciou sua campanha oficial na quarta-feira (12) com a promessa de tirar o Reino Unido da União Europeia (UE) em 31 de outubro, atual data prevista para a saída de Londres da UE, e uma advertência ao seu Partido Conservador que "atraso significa derrota". 

O ex-prefeito de Londres entre 2008 a 2016 conquistou grande parte de seu partido argumentando que só ele pode salvar o Partido Conservador ao entregar o brexit. 

Os 27 países da União Europeia se recusam a renegociar o acordo de saída firmado em maio com May e rejeitado pelo Parlamento britânico três vezes.

 
Na campanha para a consulta popular do brexit, Johnson se posicionou na dianteira do “leave”, mobilização pró-divórcio do bloco europeu. Dentro desse grupo, era das vozes mais estridentes em favor de um rompimento a seco, caso a UE não concorde com as condições fixadas por Londres.

“Sairemos da UE em 31 de outubro, com ou sem acordo”, afirmou em uma conferência na Suíça, no final de maio. “Um novo líder terá a oportunidade de fazer as coisas de modo diferente e com o ímpeto de uma nova administração.”

Esta não é a primeira vez que ​Johnson tenta ocupar o cargo. Após o plebiscito que determinou a saída do Reino Unido da UE, tudo parecia conspirar para que ele sucedesse o então premiê David Cameron, mas o parlamentar amarelou, retirando sua candidatura a nº 1 do campo conservador ainda nas fases iniciais do certame.

Suas credenciais “brexiteers”, porém, serviam a May para mostrar sua determinação em levar a separação a cabo —ela havia votado pela permanência do Reino Unido no colegiado europeu.

Assim, Johnson foi nomeado secretário (o equivalente a ministro no Executivo britânico) das Relações Exteriores. Mas não demorou para disparar fogo amigo na direção da chefe.

Em 2017, contrariado com o rumo das negociações entre Londres e Bruxelas acerca dos termos do brexit, disse abertamente que um acordo hipotético que alinhasse regulações de lado a lado faria o Reino Unido passar de Estado-membro da UE a Estado vassalo do consórcio.

Um ano depois, já fora do governo, voltou a recorrer à imagem e instou secretários de May a pedir demissão em bloco, após o pacto fechado por ela com a Europa ser bombardeado nas fileiras conservadoras.

"Depois de três anos e dois prazos não cumpridos, devemos deixar a UE em 31 de outubro. Não busco uma saída sem acordo", disse nesta quarta-feira (12). 

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