Descrição de chapéu Venezuela

Em meio a protestos, Bachelet se reúne com altos funcionários do regime chavista

Alta comissária da ONU deve se encontrar ainda com Maduro e Guaidó

Caracas | AFP

A chefe do Alto Comissariado da ONU para direitos humanos, Michelle Bachelet, se reuniu nesta quinta-feira (20) com altos funcionários do regime chavista em seu segundo dia de visita à Venezuela, marcado por protestos nas ruas com o objetivo de chamar a atenção dela para a crise vivida pelo país.

Ex-presidente do Chile, Bachelet se encontrou com o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, peça-chave na sustentação da ditadura de Nicolás Maduro. Também teve uma reunião com o procurador-geral, Tarek William Saab, fiel ao ditador.

Está previsto que Bachelet converse, até esta sexta (21), com Maduro e com o líder opositor Juan Guaidó, que trava uma disputa pelo poder desde que se proclamou presidente interino do país. A comissária da ONU deve fazer uma única declaração à imprensa, pouco antes de partir de Caracas.
 

Bachelet senta ao lado do ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, em reunião em Caracas nesta quinta (20) - Yuri Cortez/AFP

Na capital venezuelana, centenas de pessoas se concentraram em diversos pontos para advertir Bachelet sobre o colapso na área de saúde e sobre a existência de presos políticos, entre outras denúncias.

"Espero muitíssimo da visita dela, que ajude as mães, esposas, filhos de presos políticos", disse Betzayda Natera, mãe de um militar detido por uma rebelião contra Maduro em janeiro.

De acordo com a ONG Foro Penal, há hoje 687 presos por razões políticas no país. O diretor da entidade, Alfredo Romero, e parentes de opositores presos e de mortos em protestos serão recebidos por Bachelet.

Trabalhadores dos setores de saúde e ensino saíram às ruas para denunciar a falta de medicamentos e insumos hospitalares, além da situação precária das escolas.

Ex-trabalhadores do setor petroleiro, em greve de fome desde 30 de maio, pedem encontro com Bachelet para denunciar falta de pagamento de indenizações - Cristian Hernandez/AFP

Sob o regime de Maduro, a escassez de produtos básicos se agravou, e o FMI projeta uma inflação acima de 10.000.000% em 2019.

Segundo a ONU, um quarto da população venezuelana, o equivalente a 7 milhões de pessoas, requer ajuda humanitária urgente. Outros 4 milhões, aproximadamente, deixaram o país desde 2015.

Bachelet disse que a recusa do regime em reconhecer os problemas dificulta a tomada de medidas para aliviar a situação dos venezuelanos. Na quarta (19), Maduro disse esperar que a visita de Bachelet "seja para o bem" e que está aberto a escutar "recomendações". O chanceler, Jorge Arreaza, após recebê-la, afirmou que o regime está disposto a "corrigir" o que for apontado pela ONU.

A ex-presidente chilena é crítica das sanções impostas pelos EUA para asfixiar Maduro e em apoio a Guaidó. Ela teme que a proibição de vender petróleo venezuelano no mercado americano agrave a situação de penúria da Venezuela.

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