Europa vive onda de calor inédita e espera temperaturas de mais de 40°C

França e Espanha entram em alerta; Alemanha restringe velocidade por risco de estradas se romperem

Paris | AFP

A Europa vive onda de calor com temperaturas inéditas para um mês de junho, que podem se intensificar nos próximos dias em vários países, passando dos 40 °C. 

Segundo meteorologistas, uma massa de ar quente vinda do Saara é responsável pelo fenômeno, que levou França e Espanha a ativarem o alerta laranja em vários departamentos logo no início do verão no Hemisfério Norte. 

Na França, onde se espera temperaturas entre 35 °C e 39 °C nesta tarde, as autoridades pediram à população que tome precauções. 

Em Paris, que, como todas as grandes cidades, transformou-se em uma bolha de calor devido ao cimento e à falta de árvores, os moradores invadiram as piscinas municipais da cidade.

Segundo o órgão nacional de previsão meteorológica, a Météo France, esta onda de calor não tem precedentes para um mês de junho desde 1947, devido a sua intensidade.

Os especialistas preveem que o termômetro continuará subindo na quarta-feira até passar dos 40 °C em várias localidades do leste e do centro da França, como Besanzon, Clermont-Ferrand e Lyon, e se estenderá até o fim de semana, pelo menos no sudeste do país.

Na Espanha, essa onda de calor provocada pela chegada de massa quente da África vai durar pelo menos até 1º de julho. Na sexta-feira (28), as temperaturas poderão chegar a 45 °C em Girona e a 44 ºC no fim de semana em Zaragoza, ambas no nordeste do país.

"O inferno está chegando", anunciou em sua conta no Twitter a meteorologista Silvia Laplana, do canal público RTVE, ao lado de um mapa praticamente tingido de vermelho.

"É claro que faz calor no verão, mas, quando falamos de uma onda de calor tão extensa e intensa, na qual, previsivelmente, vão-se bater recordes, isso já não é o normal", afirmou.

A Agência Espanhola de Meteorologia, AEMET, pôs em alerta laranja cinco províncias do norte para esta quarta-feira, quando o país começará a sentir o fenômeno "excepcionalmente adverso" da onda de calor. Os termômetros devem chegar a até 39 ºC.

Na quinta-feira, o alerta se estenderá até dez províncias, no centro e no nordeste, com temperaturas extremas de até 41 ºC.

Na Alemanha, as autoridades impuseram restrições de velocidade em alguns trechos das autoestradas até novo aviso, devido ao risco de que o asfalto quente se rompa pelas temperaturas incomumente altas.

Espera-se que as temperaturas alcancem os 39 ºC na quarta-feira em Brandemburgo, próximo a Berlim, onde houve um grande incêndio florestal com cem hectares queimados.

Para os cientistas, essas ondas de calor, cada vez mais frequentes e precoces, são um sintoma da mudança climática.

"Nosso diagnóstico é que vão ser cada vez mais precoces, mais intensas e mais frequentes", adverte Jean Jouzel, ex-vice-presidente do Giec, o painel de especialistas do clima da ONU.

"Os verões mais quentes na Europa desde 1500 são todos do início do século 21: 2018, 2010, 2003, 2016, 2002", aponta Stefan Rahmstorf, pesquisador do Potsdam Institute for Climate Impact Research.

"Este aumento dos extremos de calor está acontecendo, como a ciência previu, como resultado direto de um aquecimento induzido pelos gases causadores do efeito estufa da combustão de carvão, petróleo e gás", acrescenta.

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