Descrição de chapéu The Washington Post

Guatemala apresenta plano duro para deter caravanas de migrantes em direção aos EUA

Em abril, Trump orientou cancelamento de ajuda financeira a Guatemala, Honduras e El Salvador

Kevin Sieff
Washington Post

A Guatemala está trabalhando com os Estados Unidos para reduzir o fluxo de migrantes pelo país, afirmou seu ministro do Interior na quarta-feira (5), com planos de renegociar um acordo regional de fronteiras abertas, dispersar as caravanas de migrantes e submeter famílias a testes de DNA.

As medidas são as mais fortes já anunciadas por um governo centro-americano para conter a migração durante a atual onda de pessoas que viajam em direção à fronteira sudoeste dos Estados Unidos. A Guatemala é a maior fonte isolada de migrantes para o país.

O ministro do Interior da Guatemala, Enrique Degenhart, disse ao Washington Post que as autoridades estão trabalhando com advogados do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos para revisar o acordo de controle de fronteiras com seus vizinhos da América Central.

Caravana de migrantes da América Central após cruzar a fronteira da Guatemala para o México
Caravana de migrantes da América Central após cruzar a fronteira da Guatemala para o México - Adrees Latif - 21.out.18/Reuters

Ele disse que o chamado acordo CA-4, que permite que cidadãos da Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua se movimentem livremente pela região, tornou mais fácil para os migrantes transitarem pela Guatemala a caminho dos Estados Unidos.

"Para nós, as caravanas são uma maneira criminosa de movimentar, traficar ou contrabandear pessoas por nosso território", disse. Degenhart afirmou que está trabalhando com a Segurança Interna, que vai despachar dezenas de agentes para a Guatemala, "para eventualmente confrontar essas caravanas".

Autoridades da Segurança Interna não quiseram comentar. Os Estados Unidos tomaram mais de 144 mil migrantes sob custódia em maio, informou na quarta (5) a Alfândega e Proteção de Fronteiras —um aumento de 32% em relação a abril e o maior total mensal em 13 anos. 

Várias centenas de migrantes de Honduras e de El Salvador cruzaram a fronteira da Guatemala para o México na quarta de manhã, com planos de continuar até a fronteira americana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a Guatemala de não fazer o suficiente para combater a migração. Em abril, ele orientou seu governo a cancelar a ajuda a Guatemala, Honduras e El Salvador. Não está claro se a diretriz foi implementada.

As autoridades da América Central historicamente relutaram em apoiar publicamente as iniciativas americanas contra a migração, em parte porque suas economias dependem das remessas de dinheiro feitas por seus cidadãos no exterior.

Em 2018 a Guatemala recebeu US$ 9,3 bilhões em remessas, quase todas de guatemaltecos nos Estados Unidos.

Mas a Guatemala hoje parece ávida para se posicionar como o mais firme parceiro do governo Trump na região, manifestando-se favorável a programas que nenhum outro país centro-americano aceitou.

Mais de 132 mil guatemaltecos foram apreendidos na fronteira americana nos seis meses entre outubro e março, mais que os de qualquer outra nacionalidade.

Degenhart disse que a Guatemala planeja implementar os testes de DNA para cidadãos que deixarem o país pela fronteira norte "em um futuro muito próximo". O objetivo, segundo ele, é verificar se os migrantes estão viajando com crianças que não são suas.

Em alguns casos, os migrantes tentaram viajar aos Estados Unidos com filhos de amigos ou vizinhos, para aproveitar uma brecha no sistema de imigração americano que permite que famílias evitem a detenção e a deportação imediata.

Segundo Degenhart, o Departamento de Segurança Interna está ajudando seu governo a montar uma unidade de fraude familiar para impedir tais esquemas antes que as crianças deixem a Guatemala.

Ele culpou o México por não fazer o suficiente para impedir que os migrantes —incluindo guatemaltecos— transitem pelo país a caminho dos Estados Unidos.

"Eles estão oferecendo vistos, todo tipo de benefício administrativo aos guatemaltecos", disse o ministro.

"O fator atração que o México gera para toda a região é uma das principais causas do aumento da migração irregular", disse ele.

O Ministério das Relações Exteriores do México não respondeu a pedidos de comentário. 

Trump ameaçou impor novas tarifas às importações mexicanas para os Estados Unidos se o México não fizer mais para impedir que os migrantes cheguem à fronteira americana. Autoridades mexicanas estiveram em Washington na quarta-feira para negociar com seus homólogos americanos.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves 

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