Descrição de chapéu The Washington Post

O que o México está fazendo ou não para controlar a crise migratória

De janeiro a abril deste ano, o país deportou mais de 37 mil, a maioria da América Central

Kevin Sieff
Cidade do México | Washington Post

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, concorreu ao cargo pregando a necessidade de respeitar os direitos dos migrantes. Mas desde que tomou posse, em setembro, sua administração vem tentando provar ao governo Trump e aos migrantes centro-americanos que não vai permitir que eles atravessem o México livremente.

Durante anos antes de López Obrador chegar ao poder, o México deportou migrantes centro-americanos em grande número —mais até que os Estados Unidos. Entre janeiro de 2015 e setembro de 2018 o México deportou 436.125 guatemaltecos, salvadorenhos e hondurenhos.

As cifras mais recentes revelam que as deportações feitas pelas autoridades mexicanas cresceram em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e abril deste ano o México deportou mais de 37 mil migrantes, segundo sua agência de imigração. As autoridades vêm sendo mais antagônicas às caravanas de migrantes, que no ano passado atravessaram o país relativamente desimpedidas.

Agora muitos dos que viajam nas caravanas são obrigados a solicitar autorizações de passagem para poderem continuar, e em função disso seu avanço ficou mais lento. Nos últimos meses esses migrantes vêm fazendo protestos diante das repartições de imigração mexicanas, acusando o país de xenofobia.

“Precisamos adotar medidas porque não podemos continuar a ter centenas de milhares de migrantes atravessando o México e chegando à fronteira norte”, disse a ministra do Interior, Olga Sánchez Cordeiro, quando uma caravana começou a ser formada em março.

Em carta ao presidente Donald Trump na quinta-feira (30), López Obrador escreveu que a Casa Branca sabe que o México está se esforçando para evitar “a passagem de migrantes por nosso país”.

Mas dezenas de milhares  de centro-americanos ainda atravessam o México todos os meses, a maioria vinda da Guatemala e de El Salvador e viajando com traficantes de pessoas. As autoridades americanas dizem que o México não está fazendo o suficiente para reforçar sua fronteira sul com a Guatemala ou para reprimir as empresas privadas de ônibus que transportam migrantes pelo país, geralmente acompanhados por seus coiotes.

“Para fazer frente a esta crise o México precisa tomar medidas significativas para reforçar sua fronteira sul, impedir a passagem ilegal de migrantes por seu território e atacar os grupos criminosos que se aproveitam de migrantes vulneráveis e lucram com o tráfico de pessoas”, disse o secretário interino da Segurança Interna, Kevin McAleenan.

A fronteira do México com a Guatemala se estende por mais de 900 quilômetros e é em grande medida porosa, com pessoas visivelmente atravessando a nado o rio Suchiate, que separa os dois países, e autoridades mexicanas tipicamente fazendo vista grossa. Nos últimos 12 meses os coiotes vêm dando preferência às travessias informais da fronteira no estado mexicano de Chiapas, que os migrantes atravessam a caminho das rotas principais de ônibus.

“Acreditamos que o México teria condições de impedir pessoas de entrar por sua fronteira sul”, disse McAleenan.

Muitos dos migrantes viajam com suas famílias. De acordo com McAleenan, mais de 75 mil famílias percorreram o México a caminho da fronteira dos EUA apenas no mês de maio.

As autoridades mexicanas dizem que embora a fronteira sul continue porosa, agentes de imigração e outros funcionários de segurança montaram postos de inspeção de ônibus e trailers nos principais corredores rodoviários. Mas já houve casos de funcionários de imigração mexicanos serem flagrados recebendo subornos para permitir a passagem de migrantes indocumentados.

Nos últimos meses os EUA começaram a obrigar muitos candidatos a asilo a permanecerem no México enquanto seus pedidos são processados. Mais de 5.000 pessoas já tiveram seus pedidos processados até agora sob a política de “permanecer no México”, que visa impedir os migrantes de viver e trabalhar nos Estados Unidos enquanto aguardam suas audiências judiciais.

O governo mexicano disse que não tem outra opção senão cumprir a política e vem aceitando os candidatos a asilo, que em muitos casos recebem alojamento e alimentação em abrigos mexicanos para migrantes.

Tradução de Clara Allain

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