Primeiro debate democrata tem saúde pública como tema e críticas a Trump

Dez dos 24 concorrentes participaram de rodada; Elizabeth Warren é destaque

Miami | Reuters

No primeiro debate dos candidatos democratas que disputam um lugar na corrida presidencial americana de 2020, na noite desta quarta (27), os concorrentes debateram o sistema de saúde pública do país, atacaram as políticas econômicas de Trump —dizendo que elas beneficiam os ricos às custas da classe trabalhadora— e criticaram as medidas do republicano em relação à fronteira com o México.

"Em 20 de janeiro de 2021, todos vamos dizer 'adiós' a Donald Trump", disse o ex-secretário de Habitação Julian Castro.

Dez concorrentes participaram do debate em Miami, na Flórida. A intensidade das discussões após seis meses de uma campanha relativamente leve refletiu a pressão no que poderia ser um momento decisivo para os concorrentes menos conhecidos, que lutam para serem notados entre os 24 candidatos democratas. 

Primeiro debate dos candidatos democratas ocorreu em Miami, na Flórida - Joe Raedle/Getty Images/AFP

A noite colocou Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts, em posição de destaque —ela teve tempo suficiente para detalhar as propostas populistas e anticorporativas de sua candidatura.

O debate também revelou as divisões do partido sobre a necessidade ou não de abolir o seguro de saúde privado e estender o programa federal Medicare para todos. 

Quando se voltavam um contra o outro, na maioria das vezes miravam Beto O'Rourke. O ex-congressista discutiu com Castro, seu colega texano, sobre a política de fronteira, e com o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, a respeito de medidas para a saúde.

As discussões sobre assistência médica começaram quando os candidatos foram solicitados a levantar as mãos se apoiassem a eliminação do seguro de saúde privado. Apenas Warren e De Blasio o fizeram, e rapidamente desafiaram os outros oito candidatos no palco.

Warren, uma líder da ala progressista do partido que vem crescendo nas pesquisas de opinião, disse que o seguro privado está se aproveitando dos americanos. Ela apoia um programa Medicare patrocinado pelo governo, e criticou aqueles que dizem que tal alternativa não é politicamente viável.

"O que eles [os outros candidatos] estão realmente dizendo é que simplesmente não vão lutar por isso. Os cuidados de saúde são um direito básico, e eu vou lutar por isso", disse ela.

Mas o ex-deputado John Delaney, crítico do Medicare para todos e defensor de uma abordagem universal de saúde que inclua seguro privado, disse que os democratas não devem jogar fora um programa com o qual alguns americanos estão satisfeitos.

"Acho que devemos ser a parte que mantém o que está funcionando e corrige o que está quebrado", afirmou Delaney.

Depois de anos defendendo a lei de saúde do ex-presidente Barack Obama —o Obamacare— das tentativas dos republicanos de revogá-la, os democratas têm lutado durante a campanha para chegarem a um acordo sobre a melhor abordagem para consertá-la.

A abordagem do Medicare para todos, apoiada por Warren e Bernie Sanders e que tem ganhado suporte no Congresso, criaria um plano de saúde administrado pelo governo que eliminaria a necessidade do seguro privado. Tal sistema seria modelado no Medicare para idosos.

O'Rourke disse que o seguro privado era "fundamental para a nossa capacidade de cuidar de todos", mas De Blasio o interrompeu.

"Congressista O'Rourke, o seguro privado não está funcionando para dezenas de milhões de americanos quando você fala sobre as franquias dos prêmios —não está funcionando. Como você pode defender um sistema que não está funcionando?"

Da esquerda para a direita: o senador de Nova Jersey Cory Booker; a senadora de Massachusetts Elizabeth Warren; e o ex-representante para o 16º Congresso Distrital do Texas, Beto O'Rourke - Jim Watson/AFP

​O'Rourke também foi atacado por Castro na questão da separação de famílias e da detenção de migrantes na fronteira com o México. Castro disse que descriminalizaria a travessia da fronteira. Ele desafiou O'Rourke e outros a apoiá-lo.

O'Rourke disse que, como congressista, ajudou a introduzir um projeto de lei que garantiria que aqueles que buscam asilo e refúgio nos Estados Unidos não sejam criminalizados.

Castro respondeu: "Não estou falando sobre os que estão buscando asilo, estou falando de todos os outros". Ele acusou O'Rourke de não fazer o dever de casa.

Trump insinuou que não iria se manifestar em suas redes sociais a respeito do debate, que acontecia enquanto ele voava para a cúpula do G20 no Japão. Mas, logo após o início, o republicano não se conteve e postou em uma rede social: "Chato!".

"O debate foi o melhor argumento para a reeleição do presidente Trump e deve realmente ser considerado uma contribuição em espécie para a campanha do presidente", disse Kayleigh McEnany, porta-voz da campanha do republicano, em um comunicado.

"As políticas socialistas de extrema esquerda que os democratas adotaram nesta noite eram semelhantes a um pacto de suicídio político mútuo", completou.

O governador de Washington, Jay Inslee, disse que ele era o único candidato no palco que havia aprovado uma opção de saúde pública e uma lei protegendo o direito da mulher à saúde reprodutiva e ao seguro de saúde. Ele foi recebido com uma resposta ácida da senadora Amy Klobuchar.

"Há três mulheres aqui que lutaram muito pelo direito da mulher de escolher", disse ela, olhando para Warren e a congressista Tulsi Gabbard.

O debate foi uma oportunidade para que alguns dos candidatos menos notados saíssem da sombra do ex-vice-presidente Joe Biden e do senador de Vermont Bernie Sanders.

Contudo, não houve menções ao favorito Joe Biden, que tomará o palco com seu principal rival, Bernie Sanders, e oito outros candidatos no segundo debate, na noite desta quinta-feira (27).

O senador americano Cory Booker teve o maior tempo de participação no debate, com cerca de 11 minutos, de acordo com o jornal The New York Times. Ele foi seguido por O'Rourke, Warren e Castro. 

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