Descrição de chapéu Governo Trump

Procurador que investigou interferência russa nas eleições nos EUA aceita depor ao Congresso

Robert Mueller testemunhará ao comitê judicial da Câmara em 17 de julho

Washington | AFP e Reuters

O procurador especial Robert Mueller aceitou testemunhar ao comitê judicial do Congresso americano sobre a investigação sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, anunciaram nesta terça (25) legisladores democratas.

"O procurador especial Robert Mueller testemunhará perante o comitê judicial e ao comitê de inteligência da Câmara no dia 17 de julho, em conformidade com uma convocação feita nesta tarde", publicou numa rede social Jerrold Nadler, chefe do comitê judicial.

A investigação conduzida pelo procurador especial buscou determinar se houve interferência da Rússia no pleito que elegeu Donald Trump e se o presidente teria obstruído a Justiça ao tentar impedir o inquérito sobre o papel do Kremlin na eleição.

O procurador especial Robert Mueller responde a questões sobre a interefência russa na eleição de 2016 em Washington
O procurador especial Robert Mueller responde a questões sobre a interefência russa na eleição de 2016 em Washington - Mandel Ngan - 29.mai.19/AFP

Desde que Mueller entregou seu relatório de mais de 400 páginas ao secretário de Justiça, William Barr, no fim de maio, a Câmara dos Deputados, dominada pela oposição democrata, trava uma batalha política para ter acesso à versão integral do documento.

No começo do mês, após semanas de negociações tensas, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos concordou em fornecer ao Congresso algumas das principais evidências coletadas pela apuração.

Os congressistas chegaram a intimar o departamento a apresentar o material —uma prerrogativa legal do comitê—, mas a ordem não foi cumprida. 

Até o momento, os deputados puderam ler o relatório com trechos suprimidos por Barr, além de 
um resumo do secretário que, segundo o próprio Mueller, distorceu algumas de suas conclusões

Ao anunciar sua aposentadoria do Departamento de Justiça dos EUA, o procurador afirmou não ter clareza de que Trump não cometeu crimes, mas afirmou não poder processá-lo, pois a lei proíbe que isso seja feito enquanto o presidente estiver no cargo.

Mueller afirmou, porém, que a Constituição prevê outro procedimento neste caso —uma referência à eventual abertura de um processo de impeachment pelo Congresso.

"Se nós tivéssemos confiança de que o presidente claramente não cometeu um crime, nós teríamos dito isso", afirmou.

Trump diz que o relatório o exonera completamente do que ele chama de uma caça às bruxas montada pelos democratas frustrados com a sua vitória nas eleições.

Mueller é o centro de uma disputa entre o governo e os democratas, que pressionavam o procurador a depor sobre as apurações.

"Os americanos querem ouvir o procurador especial diretamente, para então entender o que ele e sua equipe apuraram, descobriram e determinaram sobre o ataque da Rússia a nossa democracia, a relação com a campanha de Trump e o uso que ela fez daquela ajuda, e a obstrução do presidente e de seus aliados na investigação sobre o ataque", afirmaram Nadler e Adam Schiff, chefe do comitê de Inteligência, em um comunicado.

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