Aliada de Merkel é eleita presidente da Comissão Europeia

Por estreita margem, a conservadora Ursula von der Leyen se torna primeira mulher a chefiar bloco

Estrasburgo (França) | AFP e Reuters

A conservadora alemã Ursula von der Leyen, 60, foi eleita nesta terça-feira (16) por uma margem estreita como a nova presidente da Comissão Europeia, o Executivo da União Europeia, tornando-se a primeira mulher a chefiar o bloco.

Von der Leyen substituirá Jean-Claude Juncker a partir de 1º de novembro, um dia após o prazo para que o Reino Unido deixe a UE, para um mandato de cinco anos.

Ursula von der Leyen dá entrevista após ser eleita presidente da Comissão Europeia, em Estrasburgo, na França - Frederick Florin/AFP

Ministra da Defesa na Alemanha e pupila da chanceler Angela Merkel, Von der Leyen obteve o voto de 383 dos 751 membros do Parlamento Europeu em Estrasburgo —eram necessários 374 votos.

"A tarefa diante de nós me deixa humilde. É uma grande responsabilidade, e meu trabalho começa agora", afirmou. 

"Minha mensagem para todos vocês é que trabalhemos de maneira construtiva, porque o esforço é para uma Europa forte e unida", disse. 

Von der Leyen minimizou o quórum de sua aprovação, dizendo que "uma maioria é uma maioria".

"Há duas semanas eu não tinha uma maioria porque ninguém me conhecia. Havia muito ressentimento porque eu não era uma candidata forte", afirmou.

Com 52% dos votos, a margem de vitória da alemã não destoa das últimas eleições para o cargo, embora seja apertada. Juncker foi eleito com 56% de apoio, enquanto seu predecessor, Jose Manuel Barroso, obteve 52% na votação de seu primeiro mandato e 56% no segundo. 

Von der Leyen recebeu o apoio de parlamentares europeus socialistas e liberais que, juntos com o endosso de seus colegas conservadores, garantiram que ela conseguisse um respaldo maior para seu mandato, que deve focar questões como mudança climática, comércio e a manutenção da democracia no bloco. 

Como presidente da Comissão, ela ficará responsável por negociações comerciais, políticas climáticas e econômicas e regulamentações antitruste —regras que têm grande impacto nas empresas gigantes de tecnologia, como Google e Facebook.

Em Berlim, Merkel cumprimentou sua aliada pela vitória e disse que ela irá "atacar com grande vigor os desafios que enfrentamos como União Europeia". 

A francesa Christine Lagarde será a nova presidente do Banco Central Europeu e o primeiro-ministro belga, Charles Michel, foi nomeado presidente do Conselho Europeu, o que significa que ele presidirá as reuniões dos líderes da UE. Já o espanhol Josep Borrell vai liderar a política externa.

Annegret Kramp-Karrenbauer, conhecida como "mini Merkel" e AKK, substituirá Von der Leyen no cargo de ministra da Defesa da Alemanha, anunciou o porta-voz do governo, Steffen Seibert.

A escolha surpreendeu muitos em Berlim —era esperado que Jens Spahn, atual chefe da pasta de Saúde, assumisse o ministério.

AKK é a mais provável candidata à sucessão de Merkel, mas nunca exerceu cargo político, fato pelo qual era muito criticada. A indicação ao posto de ministra pode sanar essa lacuna.

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