Diplomatas dos EUA enviados a Cuba sofreram alterações no cérebro, diz estudo

Profissionais que viveram na ilha entre 2016 e 2018 sofreram tontura e outros sintomas

Washington | AFP

Os cérebros de cerca de 40 diplomatas americanos vítimas de fenômenos misteriosos em Cuba mostram diferenças em relação aos de um grupo de controle, afirmaram nesta terça (23) pesquisadores que analisaram seus casos a pedido de Washington.

Entre o fim de 2016 e maio de 2018, diplomatas enviados por Washington a Havana e seus familiares sofreram vários males, como falta de equilíbrio e coordenação, tontura, assim como ansiedade, irritabilidade e o que as vítimas chamaram de "névoa cognitiva".

Carro antigo passa ao lado de embaixada dos EUA em Havana
Carro antigo passa ao lado de embaixada dos EUA em Havana - Alexandre Meneghini-12.mar.2019/Reuters

A pedido do Departamento de Estado americano, o centro de traumatismos cerebrais da Universidade da Pensilvânia examinou 44 diplomatas e vários de seus familiares desde a metade de 2017 por meio de ressonâncias magnéticas. 

Os pesquisadores compararam os resultados com os de 48 pessoas de dois grupos de controle. As diferenças encontradas são estatisticamente significativas na substância branca do cérebro, assim como no cerebelo, responsável por controlar os movimentos.

O estudo, publicado no Journal of the American Medical Association (Jama), não chega a conclusões definitivas sobre o que provocou os sintomas nos diplomatas. 

Mas os pesquisadores confirmam que "algo aconteceu com os cérebros dessas pessoas", explicou à AFP Ragini Verma, professora de radiologia da Universidade da Pensilvânia e coautora do estudo.

"Tudo que posso dizer é que existe uma verdade a ser descoberta", explicou Verma, que acrescentou: "Qualquer coisa que tenha acontecido não foi devido a uma doença preexistente, analisamos isso".

Os Estados Unidos enviaram de volta para casa a maioria de seu corpo diplomático destinado a Havana em setembro de 2017. Alguns deles estão curados e voltaram a trabalhar, enquanto outros estão em reabilitação, segundo Verma.

Washington não deu explicações públicas sobre o fenômeno, não confirmou nem desmentiu se este foi causado por um ataque com algum tipo de arma acústica, como veículos americanos disseram sem apresentar provas. 

Cuba sempre negou responsabilidade no caso, que também afetou 14 diplomatas canadenses. Ottawa repatriou em janeiro deste ano a maioria de seu pessoal destinado à ilha.

Verma insistiu na importância de acompanhar os diplomatas e seus familiares para controlar a evolução das mudanças em seus cérebros.

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