Diretor-geral de agência da ONU para energia atômica morre aos 72

Japonês dirigia havia dez anos órgão responsável por monitoramento de compromissos do Irã sob acordo nuclear de 2015

Viena | AFP

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, que sofria de problemas de saúde, morreu aos 72 anos, anunciou o órgão nesta segunda-feira (22).

"O secretariado da AIEA lamenta informar com profunda tristeza o falecimento do seu diretor-geral, Yukiya Amano", anunciou em um comunicado a agência da ONU, que não forneceu detalhes sobre as circunstâncias da morte.

O diplomata japonês dirigia havia dez anos a agência, responsável pelo monitoramento dos compromissos do Irã sob o acordo nuclear de 2015. 

Yukiya Amano em foto de novembro de 2018, durante evento da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, Áustria - Joel Klamar/AFP

Amano estava completando seu terceiro mandato, que terminaria em novembro de 2021, mas anunciaria sua saída antecipada em março de 2020 por motivos de saúde.

Na carta que ele enviaria aos representantes da AIEA para anunciar a partida, o diplomata saudou os "resultados concretos" alcançados durante seu mandato "para alcançar o objetivo do átomo para a paz e o desenvolvimento'" e se disse "muito orgulhoso das realizações" da agência, de acordo com o comunicado da AIEA.

A agência, com sede em Viena, terá que organizar sua sucessão enquanto se vê envolvida no monitoramento do programa nuclear iraniano, num contexto de crescentes tensões entre Teerã e Washington.

Em resposta à retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, Teerã começou, no início de julho, a abandonar parte das obrigações relativas ao seu programa nuclear, como aumentar o percentual de enriquecimento de urânio acima do patamar combinado e ampliar suas reservas de . 

A AIEA, cujos especialistas monitoram as atividades nucleares do Irã, confirmou que o país ultrapassou vários tetos autorizados.

A nomeação do chefe da AIEA é decidida pelos 35 países membros do conselho de governadores da agência.

Eleito em 2009 para suceder ao egípcio Mohamed El-Baradei, ele estava no cargo desde então. Amano havia sido reconduzido em novembro de 2017, para um novo mandato de quatro anos.

A AIEA, que reúne 171 países, desempenha papel central no monitoramento do cumprimento do Tratado de Não-Proliferação e o respeito dos países em seus compromissos na área.

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