Descrição de chapéu Governo Trump

Documentos detalham como equipe de Trump negociou pagamento a atriz pornô

Assessores buscaram acordo com Stormy Daniels, que disse ter tido encontro sexual com presidente

Nova York | Reuters

Documentos divulgados por ordem de um juiz na quinta-feira (18) detalham conversas e mensagens envolvendo Donald Trump, sua equipe de campanha e o ex-advogado Michael Cohen em uma esquema para fazer pagamentos a uma atriz pornô que diz ter tido um encontro sexual com o presidente pouco antes da eleição de 2016.

Trump nega os encontros, e disse em outras ocasiões que não sabe nada sobre pagamentos a ela.

Cohen, 52, declarou-se culpado em agosto de 2018 por violar a lei de financiamento de campanha ao direcionar pagamentos de US$ 130 mil para a atriz pornô Stormy Daniels e US$ 150 mil para a modelo da Playboy Karen McDougal, de modo a evitar um escândalo pouco antes da eleição presidencial de 2016. 

A atriz pornô Stormy Daniels durante evento em West Hollywood, na Califórnia
A atriz pornô Stormy Daniels durante evento em West Hollywood, na Califórnia - Mike Blake - 23.mai.18/Reuters

Ambas as mulheres disseram que tiveram encontros sexuais com Trump mais de uma década atrás e que o dinheiro foi usado para comprar o seu silêncio. 

Os documentos revelados nesta quinta embasaram mandados de busca contra Cohen. O material cita um telefonema em 8 de outubro de 2016, cerca de um mês antes das eleições, envolvendo Trump, Cohen e Hope Hicks, então secretário de imprensa da campanha eleitoral de Trump. Os promotores acreditam que o pagamento a Daniels foi discutido nesta ligação. 

Poucos minutos depois da chamada, Cohen ligou para David Pecker, presidente da American Media, que publicava o tabloide National Enquirer. Os documentos indicavam que havia a suspeita de que Daniels poderia estar tentando vender sua história para algum jornal. 

"Disseram-me que vão com o Daily Mail", escreveu Howard em uma mensagem para Cohen, referindo-se a um tabloide britânico. "Você está ciente?" Cohen tentou ligar para Trump, mas não conseguiu, mostraram os documentos.

As negociações continuaram, com Cohen procurando várias vezes o advogado de Daniels e os dois executivos da AMI, Pecker e Howard, em 26 de outubro, mostraram os documentos.

Na manhã seguinte, Cohen ligou para Trump e falou com ele por cerca de três minutos, e logo em seguida fez uma segunda ligação por cerca de 90 segundos para ele, de acordo com a investigação. 

Menos de 30 minutos depois, Cohen enviou emails para uma pessoa ligada a fundos de investimento, pedindo que ele fosse enviado "o recibo de arquivamento" o mais rápido possível.

Depois de se encontrar com um representante do banco First Republic na Trump Tower naquele dia, Cohen transferiu US$ 131 mil de uma linha de crédito, que os promotores disseram ter sido usada para pagar Daniels.

Cohen, que já foi descrito como "quebra-galho" de Trump, começou a cumprir pena de prisão de três anos em maio por crimes como fraude nas finanças de campanha, declarações falsas a um banco e evasão fiscal.

Pauley havia ordenado que muitos dos materiais de mandado de busca sobre transações pessoais de Cohen fossem revelados no início deste ano, mas permitiu que alguns documentos permanecessem em segredo porque uma investigação envolvendo os pagamentos ainda estava em andamento.

Cohen declarou-se culpado em novembro passado por acusações feitas pelo escritório do ex-promotor especial Robert Mueller, que estava investigando os contatos entre a campanha presidencial de Trump em 2016 e a Rússia.

Cohen admitiu que mentiu ao Congresso sobre a extensão dos contatos entre Trump e russos durante a campanha.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentários sobre os documentos divulgados.

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