Descrição de chapéu The Washington Post

Em meio a tensões, China deixará de emitir vistos individuais para Taiwan

Medida ameaça infligir danos econômicos à indústria turística da ilha

Anna Fifield
Pequim | The Washington Post

A China anunciou que deixará de conceder permissão a cidadãos individuais para viajarem a Taiwan a partir de quinta-feira (1º/8), citando a situação atual das relações no estreito e em meio ao aumento da pressão econômica chinesa sobre a ilha autogovernada e seu líder.

As tensões entre Pequim e Taipé cresceram de seu fervilhar habitual para borbulhas antes das eleições presidenciais em Taiwan no próximo ano. 

Pequim vê a ilha como uma província separatista e tem exercido pressão diplomática sobre qualquer país que reconheça a independência de Taiwan.

Turistas visitam a ilha Verde em Taitung, no sudeste de Taiwan
Turistas visitam a ilha Verde em Taitung, no sudeste de Taiwan - Zhu Xiang - 29.jun.19/Xinhua

O líder taiwanês, Tsai Ing-wen, que visitou os Estados Unidos recentemente, publicou mensagem no Twitter sobre "valores compartilhados" e demonstrou envolvimento diplomático durante visita ao Reino Unido nesta semana —movimentos que certamente irritaram o Partido Comunista em Pequim.

Tsai, cujo Partido Democrático Progressista é a favor de maior independência, também recebeu apoio de manifestantes em Hong Kong.

As cenas da influência chinesa cada vez mais pesada no território semiautônomo, apesar do princípio de "um país, dois sistemas", lembraram a muitos taiwaneses os riscos de relações mais próximas com o continente.

No mais recente sinal de tensão, o Ministério da Cultura e do Turismo da China declarou nesta quarta-feira (31) que suspenderá as concessões de vistos de turistas a cidadãos que desejem viajar para Taiwan em caráter individual, com vigência a partir de 1º de agosto.

Antes, os moradores de 47 cidades do continente, incluindo Pequim e Xangai, podiam solicitar um visto especial para viajar à ilha como turistas individuais.

A permissão é necessária devido à situação delicada entre continente e Taiwan, mas as autoridades apoiaram o acordo para promover os contatos interpessoais.

A medida ameaça infligir danos econômicos à indústria turística de Taiwan. Mais de 1 milhão de visitantes individuais da China continental chegaram com vistos do tipo G no ano passado, de um total de 2,69 milhões de chegadas, de acordo com as autoridades de imigração da ilha.

As alterações não se aplicam a viagens em grupo para Taiwan.

O anúncio foi feito no momento em que o Exército Popular de Libertação da China realizava exercícios navais nos mares do Leste e do Sul da China, ao norte e a oeste de Taiwan. As manobras começaram na segunda-feira (29) e devem continuar até sexta (2).

Os exercícios são programados para acontecer todos os anos, mas neste ano "poderiam servir como dissuasão", disse Wei Dongxu, analista militar de Pequim, ao tabloide nacionalista "Global Times" na segunda-feira.

Segundo ele, "alguns separatistas na ilha vêm fazendo comentários irresponsáveis", e os Estados Unidos têm feito provocações, como enviar navios de guerra pelo estreito de Taiwan. Portanto, de acordo com o analista, era preciso tomar medidas.

Taiwan respondeu com exercícios próprios, disparando 117 mísseis de médio e longo alcance na segunda e terça-feira e lançando dois jatos F-16 armados com mísseis AGM-84 Harpoon.

O governo da China disse estar disposto a usar a força militar para reivindicar Taiwan e acusou os Estados Unidos de fomentar as tensões vendendo armas para a ilha.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.