Imprensa alemã muda tom e passa a cobrar esclarecimentos de Merkel sobre tremores

Chanceler tem terceiro episódio de mal estar em público, mas diz estar bem

São Paulo

Se antes a imprensa alemã colocava panos quentes e evitava especulações sobre a saúde de Angela Merkel, o novo episódio de tremor da chanceler nesta quarta-feira (10) fez com que o tom mudasse radicalmente em jornais do mais amplo espectro. Merkel completa 65 anos semana que vem.

Em entrevista coletiva após o incidente, em Berlim, Merkel deu a entender —mas não afirmou — que está tratando o problema.

"Estou resolvendo o que aconteceu. Esse processo claramente não está finalizado, mas há progresso, e eu terei de viver com isso por um tempo, mas estou muito bem e vocês não precisam se preocupar comigo", disse. 

Finnish Prime Minister Rinne meets Merkel
A chanceler Angela Merkel sofre tremor ao lado do premiê da Finlândia, Antti Rinne, em Berlim - dpa Picture-Alliance/AFP

O fato de não revelar que problema a aflige nem que tipo de tratamento estaria buscando fez com que não apenas as especulações mas também a pressão por mais transparência crescessem.

Várias publicações destacaram a frase da chanceler de que terá de "viver com isso por um tempo".

"A chanceler sabe que tem de dizer mais. Mais do que [dizer que] ela está bem e ninguém precisa se preocupar com sua saúde", afirmou o Der Tagesspiegel, principal diário da capital.

"Não é o clima desta vez", afirmou o Süddeustesche Zeitung, em referência à explicação dada pela chanceler sobre o primeiro episódio de tremor: a de que estava muito quente e que ela havia tido uma desidratação.

"Saúde é assunto privado de um chefe de governo, mas apenas até certo ponto", escreveu o jornal, listando em seguida uma pletora de possibilidades do que um tremor poderia significar: mal de Parkinson, esclerose múltipla, fadiga, estresse, ansiedade, problemas neurológicos e até o uso de determinados medicamentos.

"O que acontece com a chanceler?", questionou a revista Der Spiegel. "O terceiro tremor em cerca de três semanas suscita novos questionamentos."

"Se Merkel esteve nas últimas três semanas em tratamento médico? A porta-voz do governo não quer entrar nisso. A própria Merkel diz apenas: 'Acho que minha afirmação de que estou bem pode ser aceita'."

"Merkel é considerada dura, indestrutível. Desde a reunificação, a mulher de 64 anos está na política alemã. Como ministra da Família e do Meio Ambiente, como secretária-geral da CDU, presidente do partido, chanceler. Nenhum outro político na Alemanha e quase ninguém na Europa está permanentemente no nível de estresse do chanceler alemão", especula a revista.

O tabloide Bild, que até agora vinha mantendo o comedimento, estampou um "até quando, senhora chanceler?" no alto de sua edição online.

Fugindo do tom de cobranças, o Berliner Zeitung aceitou a explicação da chanceler de que os tremores número dois e três ocorreram em decorrência do ataque número um, como um efeito psicológico. "Portanto, nenhuma doença grave."

O jornal argumenta que não se trata de uma questão política e que não há razão para duvidar da garantia de Merkel de que está bem. "Isso é o que importa. Os políticos não são máquinas, têm peculiaridades, fraquezas e doenças como todos os seres humanos."

Já o portal satírico Der Postillon atribuiu os tremores à vibração muito forte do celular da chanceler.

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